Brasil bate recorde de feminicídios pelo quarto ano seguido e acende alerta para violência contra mulheres
País registrou 1.568 vítimas de feminicídio em 2025, maior número da série histórica

O Brasil registrou, em 2025, o maior número de feminicídios desde que o crime passou a ser tipificado na legislação brasileira, em 2015. Segundo levantamento do Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), foram contabilizados 1.568 assassinatos de mulheres motivados por violência de gênero, um aumento de 4,7% em relação aos 1.492 casos registrados em 2024. Com isso, o país bate recorde pelo quarto ano consecutivo e reforça o cenário de crescimento desse tipo de violência.
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Os dados mostram uma tendência preocupante. Depois de um pequeno recuo em 2021, os registros voltaram a crescer ano após ano: foram 1.455 feminicídios em 2022, 1.475 em 2023, 1.492 em 2024 e, agora, 1.568 em 2025. Desde a criação da Lei do Feminicídio, mais de 13,7 mil mulheres foram mortas em razão de sua condição de gênero no Brasil.
O que é feminicídio?
O feminicídio é caracterizado pelo assassinato de uma mulher em razão de sua condição de gênero, geralmente relacionado à violência doméstica e familiar, ao menosprezo ou à discriminação contra a mulher. A tipificação foi criada pela Lei nº 13.104, sancionada em março de 2015, e recentemente passou a ter punições ainda mais rigorosas após mudanças na legislação brasileira.
Na prática, grande parte dos casos ocorre dentro do ambiente doméstico e é cometida por companheiros, ex-companheiros ou familiares da vítima.
Crescimento preocupa especialistas
Para especialistas em segurança pública, o aumento dos casos tem múltiplas explicações. Uma delas é a melhoria na identificação e classificação dos crimes pelas autoridades policiais, o que reduz subnotificações. Ainda assim, o crescimento evidencia que a violência contra as mulheres continua sendo um dos principais desafios do país.
O Fórum Brasileiro de Segurança Pública destaca que o feminicídio representa uma parcela cada vez maior dos homicídios dolosos de mulheres. Em 2015, apenas 9,4% desses assassinatos eram registrados como feminicídio. Em 2024, esse percentual já havia ultrapassado 40%, demonstrando maior reconhecimento da motivação de gênero pelas autoridades.
Primeiro trimestre de 2026 também registra alta
Os números mais recentes indicam que o problema continua em crescimento. Dados do Ministério da Justiça e Segurança Pública mostram que o Brasil registrou 399 vítimas de feminicídio entre janeiro e março de 2026, média de quatro mulheres assassinadas por dia — ou uma vítima a cada cinco horas.
O total representa o trimestre mais letal desde o início da série histórica do Sistema Nacional de Informações de Segurança Pública (Sinesp), superando em cerca de 7,5% o mesmo período de 2025. São Paulo liderou o número absoluto de casos no primeiro trimestre, com 86 registros.
Violência dentro de casa continua sendo o maior desafio
Apesar da redução dos homicídios em geral registrada pelo Atlas da Violência 2026, os assassinatos de mulheres dentro das residências permanecem praticamente estáveis ao longo da última década, indicando que os crimes relacionados à violência doméstica não acompanharam a queda observada nos homicídios ocorridos em espaços públicos.
O Atlas também aponta que a residência continua sendo o principal local de agressões contra mulheres. A maioria dos atendimentos registrados na rede pública de saúde está relacionada à violência doméstica, e grande parte das vítimas relata ter sofrido agressões anteriores, evidenciando um ciclo de violência que muitas vezes culmina no feminicídio.
Mulheres negras são as principais vítimas
Outro dado preocupante é o impacto desigual da violência. Segundo o Atlas da Violência 2026, cerca de dois terços das mulheres assassinadas no Brasil são negras. A taxa de homicídios entre mulheres negras permanece significativamente superior à registrada entre mulheres não negras, evidenciando que fatores como racismo estrutural e desigualdade social também influenciam esse cenário.
Governo anuncia medidas de enfrentamento
O Ministério da Justiça afirma que tem ampliado ações para qualificar a investigação de homicídios e feminicídios, além de fortalecer políticas como o Pacto Nacional Brasil contra o Feminicídio e a padronização nacional dos índices de elucidação desses crimes. A expectativa é melhorar a integração entre os estados, reduzir subnotificações e aumentar a responsabilização dos autores.
Especialistas, no entanto, ressaltam que apenas o endurecimento das penas não é suficiente. O enfrentamento da violência contra a mulher depende da ampliação da rede de proteção, do fortalecimento das Delegacias da Mulher, da oferta de abrigos, da concessão de medidas protetivas eficazes e de políticas permanentes de prevenção e conscientização da sociedade.
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