Após empréstimo de R$ 12 bilhões, Correios divulgam plano de reestruturação

Fechamento de agências e PDV estão no pacote

Escrito por: Rubens Baracho3 min de leitura
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Os Correios anunciaram nesta segunda-feira (29) a captação de R$ 12 bilhões em crédito, operação considerada o eixo central do Plano de Reestruturação 2025–2027, que busca recuperar a sustentabilidade financeira da estatal, modernizar a operação logística e reposicionar a empresa no mercado. O anúncio foi feito pelo presidente da companhia, Emmanoel Rondon, durante coletiva de imprensa na sede da empresa, na capital federal.

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Do montante captado, R$ 10 bilhões serão liberados até dezembro de 2025 e os R$ 2 bilhões restantes até 30 de janeiro de 2026. Segundo a direção, o crédito garantirá liquidez imediata, permitindo regularizar pagamentos em atraso, estabilizar o fluxo de caixa e restabelecer a confiança de fornecedores, empregados e clientes.

“O crédito nos permite interromper a espiral negativa herdada, recuperar a capacidade operacional da empresa e avançar com segurança na reestruturação. É o ponto de virada para recolocar os Correios em uma trajetória sustentável”, declarou Rondon.

A iniciativa marca o início da Fase 1 do plano, destinada ao controle emergencial da crise financeira. Levantamento interno aponta déficit estrutural superior a R$ 4 bilhões/ano, patrimônio líquido negativo de R$ 10,4 bilhões e prejuízo acumulado de R$ 6,057 bilhões até setembro de 2025, além de queda nos índices de qualidade e liquidez.

Venda de imóveis e PDV integram pacote de medidas

Entre as ações estruturais já iniciadas, os Correios confirmaram a venda de imóveis considerados sem função operacional. A projeção é arrecadar R$ 1,5 bilhão, diminuindo custos de manutenção e reforçando o caixa.

Outro ponto do plano é a retomada do Programa de Demissão Voluntária (PDV) em janeiro de 2026, com expectativa de adesão de até 15 mil empregados ao longo de dois anos. Segundo a empresa, a economia estimada é de R$ 2,1 bilhões anuais, com impacto completo a partir de 2028.

O plano ainda prevê ajustes no plano de saúde dos funcionários, com economia projetada de R$ 700 milhões ao ano a partir de 2027 e renegociação de dívidas judiciais. Somadas, as ações de gestão e controle devem reduzir despesas em R$ 5 bilhões até 2028.

Modernização e expansão de serviços

Para retomar o crescimento, os Correios projetam R$ 4,4 bilhões em investimentos entre 2027 e 2030, financiados pelo Novo Banco de Desenvolvimento (NDB/Brics). O foco será:

automação de centros de tratamento de encomendas

modernização e descarbonização da frota

atualização de sistemas e infraestrutura digital

redesenho da malha logística nacional

A estatal pretende se reposicionar como um ecossistema integrado de logística e serviços digitais, com novas frentes em:

e-commerce e operações de última milha

logística hospitalar e farmacêutica

integração internacional e agronegócio

seguros e serviços financeiros, incluindo conta digital

A previsão é gerar R$ 8 bilhões extras em receitas até 2029, com retorno ao lucro sustentável a partir de 2027.

“Este plano vai além da recuperação financeira. Ele reafirma os Correios como um ativo estratégico do Estado brasileiro, essencial para integrar o território nacional e garantir acesso igualitário a serviços logísticos, especialmente onde ninguém mais chega”, disse Rondon.

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