Correios cortam benefício natalino de R$ 2,5 mil e ampliam plano de demissão para 15 mil funcionários
Empresa enfrenta a maior crise da sua história

Em meio à pior crise financeira de sua história recente, os Correios anunciaram uma série de medidas que impactam diretamente seus empregados. Entre elas, o fim do benefício natalino de R$ 2,5 mil concedido aos carteiros e demais funcionários em 2024, como parte do Acordo Coletivo de Trabalho (ACT). A estatal confirmou que o valor não será pago neste ano.
+ Receba as notícias do dia – clique AQUI para seguir o canal MEON no WhatsApp
A decisão ocorre em um cenário de forte desequilíbrio fiscal. O último balanço divulgado pela empresa, no fim de novembro, registrou prejuízo de R$ 6 bilhões acumulados apenas nos três primeiros trimestres de 2025 — resultado negativo que se repete há 13 trimestres consecutivos, numa sequência que começou no final de 2022.
PDV ampliado para 15 mil desligamentos
Como parte do plano de reestruturação, os Correios ampliaram o Programa de Demissão Voluntária (PDV) para 15 mil funcionários. A previsão é de que 10 mil empregados deixem a empresa em 2026 e outros 5 mil, em 2027. A medida representa, segundo estimativas internas, uma economia potencial de R$ 1,4 bilhão.
O PDV integra o documento “Correios em Reestruturação”, que detalha ações planejadas para o triênio 2025-2027. Além da redução do quadro de pessoal, o projeto prevê mudanças no plano de saúde até junho de 2026 e ações para aprimorar a gestão do Postalis, o fundo de pensão da categoria.
Outro ponto sensível será a revisão técnica de mil unidades deficitárias — uma análise que poderá resultar na redução de agências pouco movimentadas ou na migração para modelos alternativos, como o Correios AQUI.
Crise financeira e busca por financiamento
A estatal tenta obter um empréstimo de cerca de R$ 20 bilhões para regularizar pagamentos a fornecedores e assegurar fôlego financeiro para executar o plano de reestruturação. No entanto, a operação esbarrou na resistência do Tesouro Nacional, que recusou dar aval à operação após considerar excessiva a taxa de juros proposta pelos bancos — acima de 120% do CDI.
O governo estuda alternativas para auxiliar a estatal. O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou nesta quinta-feira (4/12) que não descarta um aporte do Tesouro, desde que dentro das regras fiscais vigentes. Uma solução temporária também está em análise, como forma de permitir que os Correios negociem em condições mais favoráveis.
Negociação com trabalhadores
Procurada, a área de comunicação dos Correios informou que todos os temas relacionados ao ACT estão sendo tratados exclusivamente na mesa de negociação com os representantes dos empregados. A suspensão do benefício natalino e as mudanças estruturais da companhia já são pontos de preocupação e mobilização entre os sindicatos, que discutem possíveis ações e respostas da categoria.
Em meio aos cortes, revisões e incertezas, a estatal tenta encontrar um caminho para recuperar estabilidade financeira e operacional, enquanto seus mais de 80 mil funcionários observam com apreensão os próximos passos.
Posts Relacionados

Morre Lito Sousa, especialista em aviação e criador do canal ‘Aviões e Músicas’, aos 59 anos

Novas regras para doação de sangue entram em vigor no Brasil

Quem é Juliana Rangel, filha de Renato Aragão que move ação de R$ 872 mil contra o pai
