Médicos encaram fila de duas horas e meia para tomar vacina em SP
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – Médicos com mais de 70 anos de idade tiveram de esperaram até duas horas e meia para tomar a primeira dose da vacina contra o novo coronavírus, nesta terça-feira (9), na sede do Cremesp (Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo), no centro da capital paulista. Uma enorme fila, com aglomeração dos idosos,…

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – Médicos com mais de 70 anos de idade tiveram de esperaram até duas horas e meia para tomar a primeira dose da vacina contra o novo coronavírus, nesta terça-feira (9), na sede do Cremesp (Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo), no centro da capital paulista. Uma enorme fila, com aglomeração dos idosos, chegou a se formar na calçada da rua Frei Caneca, pela manhã.
O conselho disponibilizou o local para vacinar médicos acima de 60 anos, cadastrados em seu registro principal, em parceria com a Secretaria Municipal da Saúde, gestão Bruno Covas (PSDB). Os profissionais de saúde idosos também podem se imunizar em UBSs (Unidades Básicas de Saúde).
O cirurgião cardiovascular João Maria Ferreira de Araújo, 78 anos, afirmou ter aguardado cerca de uma hora, na calçada do Cremesp, e o mesmo tempo no prédio da entidade, para tomar a primeira dose da vacina contra a Covid-19.
“Mas quando chegou minha vez, mostrei meu registro [do Cremesp] e o RG e foi bem rápido [para a aplicação da vacina]”, explicou, por volta das 13h40.
Segundo o conselho, a demora ocorreu pois alguns dos médicos não haviam feito cadastro no site do governo estadual, o VacinaJá, para tomar a Coronavac. O registro precisou ser feito na própria sede da entidade, provocando a formação da fila pela manhã.
O cirurgião acrescentou que a pandemia o deixou isolado em casa, desde março do ano passado, de onde realizou poucos atendimentos a pacientes, por videochamadas.
“Em 2019 eu fazia média de seis a oito cirurgias por mês. Já no ano passado, até o início da pandemia, fiz meia dúzia”, afirmou ele, que que após tomar a segunda dose da vacina, em março, pretende voltar à sua rotina de trabalho.
Diferentemente do cirurgião, a gineco-obstetra Emília Murata, 72, afirmou que a pandemia foi um incentivo para ela iniciar sua aposentadoria. De 25 pacientes por semana, ela passou a atender cinco, em um único dia. “Estou a um passo de parar com tudo para poder descansar e aproveitar a vida.”
Ela afirmou ter aguardado cerca de 40 minutos para ser vacinada, por volta das 14h.
O 1º secretário do Cremesp, o cirurgião geral Angelo Vattimo, disse à reportagem que a expectativa era vacinar até 700 pessoas entre as 9h e 19h desta terça. Porém, até por volta das 12h15, acrescentou, cerca de 850 médicos já haviam tomado a dose da vacina.
“Isso superou nossas metas e, dependendo de como for a procura, poderemos aumentar em uma semana o período de vacinação [no Cremesp]”, disse.
Segundo o porta-voz, nesta quarta-feira (10) serão vacinados médicos com idades entre 65 e 69 anos. Nos dois dias seguintes, será a vez de idosos, com registro médico ativo no Cremesp, entre 60 e 64 anos.
Essa logística será repetida na próxima semana, com exceção da terça-feira de Carnaval (16), que será compensada no sábado seguinte. Se a adesão for alta, como adiantou Vattimo, a entidade pode estender esse cronograma de imunização por mais uma semana. Não foi informado o número total de doses disponibilizadas ao conselho, mas, segundo o dirigente, serão suficientes.
Em toda a capital, de acordo com o Cremesp, há cerca de 18.800 registros ativos de médicos acima dos 60 anos. Desde o início da pandemia, até dezembro do ano passado, a entidade registrou quase 200 mortes de médicos por causa da Covid-19.
“Vamos criar um memorial para homenagear estas pessoas. Mas, neste momento, é hora de falar de vida [por causa da vacina] e não de morte”, concluiu.
A gestão Bruno Covas (PSDB) iniciou nesta terça a vacinação de profissionais de saúde autônomos a partir de 60 anos, que atuam em clínicas e hospitais, como médicos; enfermeiros, técnicos e auxiliares; nutricionistas; fisioterapeutas; terapeutas ocupacionais; biólogos; biomédicos e técnicos de laboratório que façam coleta de testes e análise de amostra de Covid-19; farmacêuticos; odontólogos; fonoaudiólogos; psicólogos; assistentes sociais; profissionais de educação física; e médicos veterinários.
Desde a última sexta idosos em geral com idade a partir de 90 anos estão sendo vacinados em unidades básicas de saúde, pontos de drive-trhu e outros locais. Na segunda-feira começam a ser vacinadas pessoas com idade a partir de 85 anos.
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