Mercado ilegal de bets pode dobrar após proibição no Brasil, estima setor
Simulação do Instituto Brasileiro de Jogo Responsável aponta crescimento de 101% na receita anual das plataformas clandestinas; monitoramento identificou mais de 60 mil endereços suspeitos

O mercado ilegal de apostas on-line no Brasil pode ter crescido 101% após a proibição das bets autorizadas, que passou a valer em 6 de outubro de 2026. A estimativa é do Instituto Brasileiro de Jogo Responsável (IBJR), entidade que representa empresas do setor.
De acordo com uma simulação apresentada pelo instituto, a receita anual do mercado clandestino poderia ter passado de R$ 27,9 bilhões para R$ 56 bilhões. O aumento estimado seria de R$ 28,1 bilhões por ano.
O cálculo considera um cenário em que 70% da atividade anteriormente realizada em plataformas regulamentadas teria migrado para operadores clandestinos. Os outros 30% deixariam de ocorrer nesse mercado.
O levantamento utiliza o Gross Gaming Revenue (GGR), indicador que representa a diferença entre o valor total apostado e os prêmios pagos aos jogadores. Portanto, os R$ 56 bilhões projetados não correspondem ao total de dinheiro movimentado nas apostas.
Mais de 60 mil endereços suspeitos
Além da projeção financeira, o IBJR apresentou dados de monitoramento da internet que identificaram 60.477 endereços suspeitos de oferecer apostas clandestinas.
Desse total, 34.134 apresentaram características relacionadas à atividade, como oferta de bônus, possibilidade de cadastro e pagamentos por Pix.
Somente na terça-feira (27), a ferramenta de monitoramento LegitBet acrescentou 436 endereços suspeitos à base de dados. Desses, 231 apresentaram características compatíveis com a oferta de apostas. Também foram identificados 374 links suspeitos divulgados nos canais acompanhados pelo sistema.
O instituto ressalta, porém, que a inclusão de um endereço na base de monitoramento não comprova que ele tenha sido criado após a proibição ou que todos os domínios identificados sejam efetivamente ilegais.
Risco de migração para plataformas clandestinas
Uma das preocupações apontadas pelo setor é que a proibição das plataformas autorizadas leve apostadores a procurar operadores clandestinos.
Segundo o IBJR, essa migração pode deixar os usuários sem mecanismos de proteção exigidos anteriormente das empresas regulamentadas, como verificação de identidade, fiscalização das transações e medidas para impedir o acesso de menores de idade.
O Ministério da Justiça e Segurança Pública também informou que mantém ações de monitoramento do ambiente digital para identificar a divulgação e a operação de apostas clandestinas.
Proibição ainda depende de aprovação do Congresso
A proibição foi estabelecida pela Medida Provisória nº 1.394, publicada em 25 de setembro de 2026. O texto passou a produzir efeitos imediatamente, mas ainda depende da análise e aprovação do Congresso Nacional para se tornar definitivo.
A medida provisória tem validade inicial até 23 de novembro. Caso não seja analisada dentro do prazo, poderá ser prorrogada por mais 60 dias.
Segundo o calendário legislativo, a proposta entra em regime de urgência em 9 de novembro. Até 30 de outubro, o texto ainda aguardava a instalação da comissão mista responsável pela análise inicial.
A discussão envolve os impactos da proibição sobre os apostadores, a arrecadação e a fiscalização do mercado de apostas no país.
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