PF cumpre mandado de busca na casa do advogado Nelson Wilians em operação contra esquema de bets

Operação Arena investiga suposto esquema de lavagem de dinheiro e ocultação de recursos ligados a bets, com 17 mandados cumpridos em cinco estados e bloqueio de até R$ 1,1 bilhão

Escrito por: Rubens Baracho3 min de leitura
Bruno Spada/Câmara dos Deputados
Bruno Spada/Câmara dos Deputados

A Polícia Federal cumpriu, na manhã desta quinta-feira (13), um mandado de busca e apreensão na residência do advogado Nelson Wilians, em São Paulo. A medida faz parte da Operação Arena, deflagrada pela PF em conjunto com a Receita Federal e o Ministério Público Federal para investigar um grupo empresarial suspeito de utilizar estruturas societárias e financeiras no exterior para ocultar a origem e a destinação de recursos relacionados à exploração de jogos de azar e apostas esportivas.

Ao todo, foram expedidos 17 mandados de busca e apreensão, além de medidas de quebra de sigilos bancário e telemático e sequestro de bens e valores de até R$ 1,1 bilhão. As ações são realizadas nos estados da Paraíba, São Paulo, Sergipe, Rio de Janeiro e Paraná.

Segundo os investigadores, um dos principais alvos é a empresa PixBet, que já patrocinou clubes de futebol como Flamengo, Santos e Vasco. A apuração identificou transferências consideradas suspeitas envolvendo a PixStar, empresa sediada em Curaçao, no Caribe, apontada pelos investigadores como uma empresa de fachada.

Nelson Wilians aparece como advogado da PixBet em uma ação que tramita na Justiça Federal da Paraíba. A investigação, no entanto, apura a atuação do grupo empresarial e não significa, por si só, que o advogado tenha sido responsabilizado pelos crimes investigados.

De acordo com a Receita Federal, empresas constituídas no exterior teriam sido utilizadas para justificar grandes remessas internacionais, apesar de os elementos reunidos indicarem a ausência de atividades econômicas compatíveis com os valores movimentados.

Os investigadores também identificaram possíveis mecanismos envolvendo empresas brasileiras e estrangeiras, instituições de pagamento, operações de câmbio, ativos digitais e outras estruturas financeiras. A suspeita é de que esses mecanismos tenham sido utilizados para dificultar a identificação da origem e do destino dos recursos.

A operação apura possíveis crimes de lavagem de dinheiro, evasão de divisas e delitos contra o sistema financeiro nacional, além de possíveis irregularidades tributárias. As informações e materiais apreendidos durante as buscas serão analisados pelas autoridades e poderão subsidiar novas medidas fiscais e judiciais.

Segunda operação em menos de um mês

A Operação Arena é a segunda ação policial envolvendo Nelson Wilians em menos de um mês. Em 15 de julho, a residência e o escritório do advogado foram alvos de buscas durante a Operação Distrato, que investiga um suposto esquema bilionário envolvendo créditos fraudulentos de ICMS.

Segundo as autoridades paulistas, a investigação identificou a comercialização de créditos tributários sem respaldo legal para empresas que buscavam reduzir de forma irregular o imposto devido ao Estado. A apuração apontou mais de R$ 3,8 bilhões em créditos tributários constituídos contra 752 empresas.

Na ocasião, foram cumpridos 38 mandados de busca e apreensão em cidades de São Paulo, Campinas, Jundiaí, Ribeirão Preto, Londrina e Cambé.

A defesa de Nelson Wilians afirmou, na época, que recebeu as medidas com serenidade e transparência e que colaboraria com as autoridades para o esclarecimento dos fatos. A defesa do advogado, assim como representantes da PixBet e da PixStar, é procurada para comentar a Operação Arena.

A defesa emitiu uma nota:

“A relação entre o escritório e a PixBet é estritamente profissional e decorre da prestação de serviços de advocacia. A atuação do escritório em favor de seus clientes limita-se ao exercício regular da advocacia, não se confundindo com as atividades empresariais por eles desenvolvidas. O escritório repudia qualquer tentativa de associar a atuação profissional de seus advogados às atividades ou condutas atribuídas a seus clientes. É preciso ter cautela para que o legítimo exercício da advocacia não seja indevidamente criminalizado em razão da natureza ou das atividades daqueles que o advogado representa”, disse.

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