Polícia indicia familiares de adolescentes em caso da morte do cão Orelha

Ao todo, três adultos sendo eles o pai e um dos tios vão responder por coação

Escrito por: Rubens Baracho3 min de leitura
image-978166

A Polícia Civil de Santa Catarina informou, em coletiva de imprensa realizada nesta terça-feira (27), que indiciou três familiares — os pais e um tio — de adolescentes suspeitos de envolvimento na morte do cão comunitário conhecido como Orelha, em Florianópolis. Os familiares são acusados do crime de coação de testemunha no inquérito que apura o caso.

Segundo a corporação, o indiciamento ocorreu após os envolvidos prestarem depoimento. De acordo com a investigação, eles teriam ameaçado uma testemunha para interferir no andamento das apurações sobre a morte do animal.

Ao todo, dois inquéritos foram instaurados: um para investigar os maus-tratos que resultaram na morte do cão e outro especificamente para apurar a suposta coação. Este último já foi concluído e encaminhado à Justiça. Já o inquérito principal segue em andamento.

Na segunda-feira (26), a Polícia Civil cumpriu mandados de busca e apreensão nas residências dos investigados. A ação tinha como objetivo localizar uma possível arma de fogo que, conforme apurado, teria sido usada para intimidar a testemunha. No entanto, o objeto não foi encontrado.

O caso do cão Orelha veio à tona após denúncias apontarem que um grupo de adolescentes teria praticado maus-tratos contra o animal, que foi encontrado gravemente ferido e submetido à eutanásia. Com a confirmação da autoria atribuída aos adolescentes, o relatório da investigação foi encaminhado à Delegacia Especializada no Atendimento ao Adolescente em Conflito com a Lei, em razão da idade dos suspeitos.

Mais de 20 pessoas já foram ouvidas durante as oitivas. A polícia também apreendeu celulares e outros dispositivos eletrônicos dos adolescentes, que ainda passarão por análise pericial.

Além da morte do cão Orelha, a Polícia Civil apura um segundo episódio envolvendo outro cachorro, conhecido como cão caramelo. Conforme as investigações, o animal teria sido levado ao mar por um adolescente, mas conseguiu escapar e não morreu.

Em nota, famílias de dois adolescentes citados no inquérito negaram qualquer envolvimento dos filhos no caso e afirmaram que eles estão sendo alvo de acusações injustas nas redes sociais. Em uma das manifestações, os pais declararam que o filho “não tem qualquer relação com o fato” e relataram que a família vem sofrendo ameaças e exposição de dados pessoais.

As famílias afirmam repudiar maus-tratos a animais, dizem confiar no trabalho das autoridades e garantem que estão colaborando com as investigações. Também negam que os adolescentes apareçam em um vídeo que circula nas redes sociais e que supostamente mostra os autores das agressões.

Tags:BrasildestaquemancheterotativoPublicado em: