Suécia proíbe Huawei em leilão de frequências para 5G
BRUXELAS, BÉLGICA (FOLHAPRESS) – A agência reguladora de telecomunicações da Suécia baniu nesta terça (20) os grupos chineses Huawei e ZTE de suas redes 5G. A tecnologia, de redes móveis ultra-rápidas, permite que aparelhos domésticos, máquinas indústrias e carros, por exemplo, sejam conectados à internet de forma mais confiável e com respostas…

BRUXELAS, BÉLGICA (FOLHAPRESS) – A agência reguladora de telecomunicações da Suécia baniu nesta terça (20) os grupos chineses Huawei e ZTE de suas redes 5G. A tecnologia, de redes móveis ultra-rápidas, permite que aparelhos domésticos, máquinas indústrias e carros, por exemplo, sejam conectados à internet de forma mais confiável e com respostas imediatas.
O 5G reduz a praticamente zero o tempo de resposta a um comando. Em teoria, essa espera, chamada de latência, será de na média 1 milissegundo (1 milésimo de segundo), segundo fabricantes.
Em comunicado sobre o leilão de novas frequências na Suécia, marcado para o próximo mês, o órgão regulador menciona explicitamente as duas empresas: “Novas instalações e novas implementações de funções centrais para o uso de rádio nas bandas de frequência não devem ser realizadas com produtos dos fornecedores Huawei ou ZTE”.
O país escandinavo é sede da Ericsson, uma das principais rivais da Huawei. A chinesa, maior fornecedora de equipamentos de rede de telefonia no mundo hoje, é pivô de uma investida geopolítica dos Estados Unidos, que pressionam aliados (incluindo o Brasil) a excluí-la de sua infraestrutura de telecomunicações.
Japão, Reino Unido e França já barraram, na prática, a Huawei do 5G, e medidas que devem ser anunciadas pela Alemanha nas próximas semanas também podem inviabiliza a atuação da chinesa no país que é hoje um de seus principais mercados.
O ministro sueco de Energia e Digitalização, Anders Ygeman, afirmou, porém, que o país não visa empresas específicas, segundo a emissora SVT.
O texto da agência reguladora menciona “avaliações feitas pelas Forças Armadas suecas e pelo Serviço de Segurança para garantir que o uso de equipamento de rádio nessas faixas não cause danos para a segurança da Suécia”.
“O Estado chinês está conduzindo espionagem cibernética para promover seu próprio desenvolvimento econômico e desenvolver suas capacidades militares”, afirmou em comunicado o diretor do Serviço de Segurança da Suécia (Säpo), Klas Friberg.
Desde janeiro, o serviço e as Forças Armadas foram autorizadas por lei a opinar em negociações da Agência Sueca de Correios e Telecomunicações, que leiloa as licenças para a operação do 5G.
Friberg afirmou que a China coleta informações e se apropria de tecnologia, pesquisa e desenvolvimento: “Isso é o que devemos considerar ao construir a rede 5G do futuro. Não podemos comprometer a segurança da Suécia”.
Além da Ericsson, podem se beneficiar da decisão sueca as empresas Nokia, da Finlândia, e Samsung, da Coreia, que já estão em alguns projetos de 5G no país escandinavo.
As restrições suecas se estendem não apenas às operações principais das redes 5G, mas a funções na rede de acesso de rádio, na rede de transmissão, na rede central e na rede de serviço e manutenção “que são necessárias para manter a funcionalidade da rede e os serviços de comunicação eletrônica fornecidos pelo titular da licença”.
Segundo o comunicado sueco, se a infraestrutura existente para funções centrais for usada para fornecer serviços nas bandas de frequência em questão, os produtos da Huawei e ZTE devem ser descontinuados no máximo até 1º de janeiro de 2025.
Também devem ser interrompidas até esse prazo funções localizadas em países estrangeiros ou realizadas por estrangeiros.
A Huawei não se pronunciou sobre a decisão da Suécia. Ao comentar a pressão dos EUA sobre o governo brasileiro em entrevista à Folha, o presidente da empresa no Brasil, Sun Baocheng, disse que excluir a Huawei traria atrasos e aumento de custo.
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