Cabine Lilás já ajudou mais de 25 mil mulheres a interromper ciclo de violência em SP
Programa da Polícia Militar oferece acolhimento e orientação às vítimas

A Cabine Lilás, serviço criado pelo Governo de São Paulo para fortalecer a rede de proteção às mulheres vítimas de violência, já ajudou mais de 25 mil mulheres desde sua implantação, em 2024. A iniciativa funciona por meio da central 190 do Copom (Centro de Operações da Polícia Militar) e foi ampliada para todo o interior do estado.
O programa oferece atendimento especializado às vítimas, com orientações sobre como solicitar medidas protetivas, localizar Delegacias de Defesa da Mulher (DDMs), acessar redes de abrigo e buscar assistência jurídica e de saúde.
Além disso, as mulheres recebem informações sobre direitos relacionados à pensão alimentícia, guarda de filhos e outras formas de apoio necessárias para interromper o ciclo de violência.
A cabo da Polícia Militar Raianne Cavalcante, que integra a primeira turma treinada para atuar na Cabine Lilás, em 2024, explica que a subnotificação sempre foi um desafio no combate à violência doméstica, mas a ampliação dos serviços tem ajudado a reduzir esse problema.
Segundo ela, a primeira orientação dada às vítimas é sempre registrar a ocorrência. O procedimento pode ser feito presencialmente em uma delegacia, por meio das Delegacias da Mulher on-line ou pelo aplicativo SP Mulher Segura, que possui a mesma validade do boletim de ocorrência registrado presencialmente.
“O primeiro passo é sempre formalizar a denúncia. Muitas mulheres não sabem que podem registrar o boletim de ocorrência também pelo aplicativo, com a mesma validade da delegacia física”, explicou a policial.
Violência nem sempre é física
Raianne destaca que muitas vítimas chegam ao atendimento emocionalmente fragilizadas e, em diversos casos, nem percebem que estão sofrendo violência.
Segundo ela, é comum que as mulheres associem violência apenas à agressão física, sem reconhecer outras formas de abuso.
“Esclarecemos que a violência pode ser psicológica, com ameaças, patrimonial, quando há controle da renda ou dos bens, e também moral, com xingamentos e ofensas”, afirmou.
Há situações em que a violência também atinge diretamente os filhos da vítima. Em um dos casos relatados pela policial, um agressor dizia às crianças que elas deveriam se acostumar com o comportamento violento dentro de casa.
“Nesses casos, muitas vezes a mulher e os filhos são totalmente dependentes financeiramente do agressor e não sabem como agir. Nosso trabalho é orientar, esclarecer os direitos e ajudar a acionar os serviços que podem proteger toda a família”, explicou.
Rede integrada de proteção
A Cabine Lilás faz parte de um conjunto de políticas públicas estruturadas pelo Governo de São Paulo para enfrentar a violência doméstica. As ações integram o movimento SP Por Todas, que busca ampliar a visibilidade das políticas voltadas às mulheres e fortalecer a rede de acolhimento e proteção.
Desde 2023, o estado ampliou o número de Salas de Delegacias da Mulher com funcionamento 24 horas, implantou a Cabine Lilás e passou a utilizar tornozeleiras eletrônicas em acusados de agressão contra mulheres.
Outra ferramenta criada foi o aplicativo SP Mulher Segura, lançado em 2024. A plataforma reúne informações sobre serviços de acolhimento, permite registrar boletim de ocorrência on-line e possui botão de pânico para mulheres que já possuem medida protetiva.
Como reflexo da ampliação dessas políticas públicas, o número de prisões realizadas pelas Delegacias de Defesa da Mulher no estado cresceu significativamente. Em 2025, foram registradas 18,5 mil detenções, aumento de 30,2% em relação a 2024, quando houve 10,9 mil prisões.
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