Prisões de agressores de mulheres crescem 31,2% em São Paulo em 2025
Aumento é atribuído ao reforço na fiscalização de medidas protetivas

A atuação integrada das polícias Civil e Militar resultou na prisão de 18,5 mil agressores por violência doméstica em 2025 no estado de São Paulo. O número representa um aumento de 31,2% em comparação com o ano anterior, quando 14,1 mil autores foram detidos.
De acordo com o Governo do Estado, o crescimento nas prisões está relacionado ao endurecimento na fiscalização das decisões judiciais e à resposta mais rápida às denúncias, como parte da estratégia de interromper o ciclo da violência antes que os casos evoluam para situações mais graves.
Segundo o secretário da Segurança Pública de São Paulo, Osvaldo Nico Gonçalves, o avanço também está ligado à consolidação do sistema SP Mulher, criado em 2023 para integrar dados, padronizar atendimentos e fortalecer a atuação conjunta das forças de segurança.
“Essa resposta ganhou novo impulso com a integração das polícias Militar, Civil e Técnico-Científica, desde o primeiro contato pelo 190, com as Cabines Lilás no Centro de Operações da PM, até o registro nas Delegacias de Defesa da Mulher, Salas DDM 24 horas e DDM online”, afirmou o secretário.
Subnotificação ainda preocupa
Apesar do aumento nas prisões, dados do governo estadual apontam que muitas vítimas ainda não denunciam as agressões. Em 2025, das 270 vítimas de feminicídio registradas em São Paulo, 72% não haviam feito boletim de ocorrência anteriormente e apenas 22% tinham solicitado medida protetiva.
Diante desse cenário, o estado ampliou os canais de denúncia e o uso de tecnologia para proteção das vítimas.
Monitoramento eletrônico de agressores
São Paulo também é pioneiro no monitoramento eletrônico de agressores em casos de violência contra a mulher. O sistema de tornozeleiras eletrônicas foi implantado em setembro de 2023 e já foi utilizado por 712 suspeitos.
Atualmente, 189 agressores permanecem com o monitoramento ativo. O sistema também permitiu a condução de 211 autores à delegacia por descumprimento de medidas protetivas, dos quais 120 permaneceram presos.
Aplicativo e atendimento especializado
Outra ferramenta adotada pelo estado é o aplicativo SP Mulher Segura, que conta atualmente com 45,7 mil usuárias cadastradas. A plataforma já registrou 9,6 mil acionamentos do botão do pânico, que envia automaticamente a localização da vítima e permite o deslocamento imediato de policiais.
Além disso, o estado ampliou em 54% os espaços especializados de atendimento, que atualmente somam 142 Delegacias de Defesa da Mulher e 173 Salas DDM com funcionamento 24 horas.
Na Polícia Militar, o atendimento às vítimas também é feito pela Cabine Lilás. Ao ligar para o telefone 190, a mulher pode ser atendida por uma policial treinada para oferecer acolhimento e orientações imediatas.
Segundo o coordenador operacional da PM, coronel Carlos Henrique Lucena, o serviço facilita o acesso das vítimas à rede de proteção.
“A Cabine Lilás centraliza as iniciativas de proteção à mulher e orienta as vítimas a registrar o boletim de ocorrência, que é o primeiro passo para interromper o ciclo de violência”, explicou.
Apoio social às vítimas
A rede de proteção também inclui políticas sociais de apoio às mulheres vítimas de violência. Entre elas está o programa estadual de Auxílio-Aluguel para Mulheres Vítimas de Violência Doméstica, que já atendeu 5.247 mulheres entre março de 2025 e fevereiro de 2026.
O benefício já foi adotado por 585 municípios paulistas, segundo dados da Secretaria de Desenvolvimento Social do Estado.
As ações fazem parte do movimento SP Por Todas, iniciativa do governo estadual que busca ampliar a visibilidade das políticas públicas voltadas às mulheres e fortalecer a rede de acolhimento, proteção e autonomia financeira.
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