Cadeirantes reclamam da falta de acessibilidade em Taubaté

Cadeirantes tem hora para andar de ônibus e dividem a rua com carros por falta de acessibilidade em Taubaté. O Meon apurou as dificuldades enfrentadas pelas pessoas com deficiência física no dia-a-dia na cidade.

Escrito por: Elaine Rodrigues3 min de leitura
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Cadeirantes têm hora para andar de ônibus e dividem a rua com os carros por falta de acessibilidade em Taubaté. O Meon apurou as dificuldades enfrentadas pelas pessoas com deficiência física no dia a dia na cidade.

Alexandre dos Santos Castilho, 41 anos, é paratleta, em Taubaté. Em sua cadeira de rodas, defende a cidade pela equipe sobre rodas de basquete. Contudo, conta que por várias vezes deixou de treinar porque os dois únicos ônibus adaptados que atendem a linha do Parque Aeroporto, onde mora, estavam com a rampa de acesso quebrada. “É um absurdo a empresa de ônibus determinar que hora tenho que sair de casa. Porque eu tenho só um horário com ônibus adaptado para ir para o trabalho de manhã e mais um para voltar, se eu perder, são quase três horas de espera até o próximo carro passar. Isso quando não vou a lugar nenhum porque a rampa quebrou”, relata Castilho.

Segundo o atleta, todos os jogadores da sua equipe enfrentam este e outros problemas, como a falta de preparo dos trabalhadores do transporte público. “Outro dia um motorista disse a um dos nossos colegas cadeirante que não ia levá-lo porque não tinha obrigação de colocar ele no ônibus. Que era melhor esperar o transporte adaptado”, destaca.

A reportagem do Meon tentou acompanhar Castilho em uma das suas viagens ao centro de treinamento. Após uma hora de espera, o único ônibus que passou no ponto em que o cadeirante estava não parou.  “É assim que eles fazem. Fingem que não veem. Por isso eu ajudo sempre que posso. Já dei muita carona para meu amigo aqui”, conta o metalúrgico Gilliard Rodrigues, 33 anos, que vendo a espera, se ofereceu para levar o paratleta em seu carro até o local do treino.

Inacessível
Vítima de poliomielite, Castilho usou muletas por mais de trinta anos. Devido a uma lesão no ombro, há quatro anos, teve que recorrer a cadeira de rodas para se locomover. Segundo o jogador, como cadeirante as dificuldades de acessibilidade triplicaram. “As calçadas de Taubaté não têm rampa de acesso. Quase todos os estabelecimentos comerciais não são adaptados. E a gente anda na rua, ao lado dos carros, porque é impossível passar no meio de tanto buraco e degraus que existem nas calçadas de quase todos os bairros da cidade”, afirma.

Outro lado
Para o vereador Diego Fonseca (PSDB), da Comissão Especial de Transportes Público da Câmara de Taubaté, as reclamações dos cadeirantes são antigas, e a empresa ABC Transporte, responsável pelas linhas de ônibus urbana na cidade, já foi notificada sobre a questão. “A ABC Transporte sabe que tem até o final deste ano para adaptar toda a frota, segundo a Lei Nacional de Acessibilidade. A Secretaria de Mobilidade Urbana também está cobrando, mas vamos acompanhar de perto essa história”, conclui o vereador.

Procuradas pelo Meon, até o fechamento desta reportagem, a Secretaria de Mobilidade Urbana e a empresa ABC Transportes ainda não se manifestaram sobre o caso.

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