Cansado dos famosos, Meirelles caça anônimos

Enquanto seus colegas de stand up comedy disputam celebridades em seus programas de entrevistas, Maurício Meirelles – que também fica atrás de famosos quando está no CQC – resolveu bater papo com desconhecidos e colocar no ar, pela internet, o Tosco Show. “A TV está repleta de talk shows. Como eu sou tosco, pensei: por que não fazer com passantes?”, explica

Escrito por: Meon Redação3 min de leitura
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“Tosco Show” quer ser um novo talk show na internet

Divulgação

Enquanto seus colegas de stand up comedy disputam celebridades em seus programas de entrevistas, Maurício Meirelles – que também fica atrás de famosos quando está no CQC – resolveu bater papo com desconhecidos e colocar no ar, pela internet, o Tosco Show. “A TV está repleta de talk shows. Como eu sou tosco, pensei: por que não fazer com passantes?”, explica

Em seu programa, cujos vídeos duram menos de dez minutos, o humorista aborda pessoas em pontos de ônibus de bairros menos abastados de São Paulo e começa a conversa. “Lá é o lugar onde se conhece as pessoas. Rende quando a pessoa é de uma classe mais popular. Esses caras têm mais histórias do que quem mora em condomínio”, alega o carioca, que não faz ninguém perder a viagem. “O ônibus chega e a entrevista acaba. Tenho sorte de morar no Brasil porque o ônibus sempre demora”, debocha.

Como não dá para montar um estúdio na rua, o apresentador improvisa. “Levo o cenário feito de xerox. Gasto R$ 150 para produzir”, detalha ele, que publica esta semana a terceira edição do Tosco Show. Meirelles afirma querer ir na contramão dos rostos de artistas bem sucedidos mostrados na TV. “Gosto de algo voltado para um público mais popular e outras coisas que a TV não dá atenção. Por que não falar de histórias de fracassados?”, propõe.

O bate-papo é interrompido por textos que surgem na tela, supostamente escritos pelo editor, e que alfinetam o apresentador. “A ideia é eu ficar por baixo do entrevistado”, justifica ele, que diz ter cuidado ao conversar com os desconhecidos. “Ontem, por exemplo , foi com um morador de rua, com uma super história. Não dá para fazer chacota”, defende Meirelles, raramente reconhecido por quem aborda nas ruas. “Em lugares como a Praça da República, há um pessoal que não sabe o que está acontecendo. Alguns me reconhecem pelo comercial (de pasta de dentes) que passa no intervalo da novela.”

Bem recebido pelos anônimos, ele não tem o mesmo tratamento com as celebridades, com quem precisa fazer piada. “Funciona de outra maneira. Tem cara que faz Malhação e acha que tem o rei na barriga. Perdi a paciência, não fico puxando o saco. Alguns se colocam num pedestal, acham que são intocáveis. Prefiro quem brinca comigo”, desabafa.

Segundo ele, a produção intensa na internet não tem a ver com a vontade de sair do humorístico da Band. “Estou bem no CQC, mas adoraria ter outro programa. Explorar o anônimo é uma sacada que gostaria de usar “, revela. Entretanto, tem preferido a web pela facilidade de colocar as ideias no ar. “Na TV, tem de ter temporada patrocinada. A internet quebrou esses paradigmas. Nossa intenção é fazer acontecer na internet.”

A rede tem sido o caminho para levar ao público as composições da Banda Renatinho, grupo musical que mantém com os também comediantes Tatá Werneck e Murilo Couto. As agendas de gravação dos artistas, cada um de uma emissora diferente, é que os impede de gravar mais canções. “Só falta música. Os fãs a gente já tem “

Além dos shows de stand up comedy, Meirelles tem faturado com publicidade, em que atua como estrela e redator. Em um dos comerciais, aparece em países como México e Ucrânia, dublado nos respectivos idiomas. “Estou melhor que quando fazia jingles. Rico é uma palavra forte. Hoje, um apartamento custa R$ 1 milhão. Quando comecei a ganhar dinheiro, as coisas ficaram caras.”

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