Saúde masculina: doenças silenciosas reforçam importância do check-up periódico

Hipertensão, diabetes, problemas cardiovasculares e saúde mental podem evoluir sem sintomas e exigem acompanhamento médico regular

Escrito por: Rubens Baracho4 min de leitura
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Doenças que muitas vezes não apresentam sintomas nas fases iniciais estão entre os principais desafios da saúde masculina. Hipertensão arterial, diabetes, problemas cardiovasculares, transtornos de saúde mental e questões relacionadas à saúde sexual e reprodutiva estão entre os motivos frequentes de atendimento na Atenção Primária à Saúde (APS).

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O acompanhamento médico periódico é apontado como uma das principais estratégias para identificar fatores de risco, diagnosticar doenças precocemente e iniciar o tratamento antes do surgimento de complicações.

Dados do Ministério da Saúde mostram a dimensão do problema. Em 2025, foram registrados 7.395.120 atendimentos relacionados à hipertensão arterial entre homens na Atenção Primária à Saúde em todo o país. O número representa atendimentos e não necessariamente pessoas diferentes, já que um mesmo paciente pode ter procurado o serviço mais de uma vez.

Na atenção especializada, também em 2025, foram registrados 1.778.794 atendimentos ambulatoriais e 31.280 internações por diabetes. No caso da hipertensão, foram 734.599 atendimentos e 15.165 internações. Também foram registrados 53.308 atendimentos por episódios depressivos e 1.590 atendimentos e 134 internações relacionados à infertilidade masculina.

Saúde do homem vai além do câncer de próstata

Apesar de o câncer de próstata ser uma das doenças mais associadas à saúde masculina, o acompanhamento médico deve ser mais amplo e começar ainda na vida adulta.

A necessidade e a frequência das avaliações variam de acordo com idade, histórico familiar, hábitos de vida e fatores de risco. Homens com histórico familiar de doenças cardiovasculares, diabetes ou determinados tipos de câncer podem precisar de acompanhamento mais próximo.

Tabagismo, obesidade, sedentarismo e consumo excessivo de álcool também são fatores que devem ser considerados durante as consultas.

Outro ponto de atenção são as doenças cardiovasculares. Segundo a Sociedade Brasileira de Cardiologia, elas estão entre as principais causas de morte no Brasil. Hipertensão e colesterol elevado, por exemplo, podem evoluir durante anos sem provocar sintomas evidentes.

A identificação precoce permite controlar esses problemas e reduzir o risco de complicações graves, como infarto e acidente vascular cerebral (AVC).

Diabetes, doença renal crônica e alguns tipos de câncer, como o colorretal e, em situações específicas, o de próstata, também podem apresentar melhores resultados quando identificados e tratados oportunamente.

Saúde mental também precisa entrar na rotina

O cuidado preventivo não deve se limitar à saúde física. Ansiedade e depressão também podem passar despercebidas, especialmente quando o homem não associa determinados sinais ao sofrimento emocional.

Irritabilidade, insônia, cansaço persistente, dores recorrentes, aumento do consumo de álcool e queda no desempenho profissional podem estar relacionados a problemas de saúde mental.

Por isso, as consultas de rotina também são importantes para que o profissional avalie o contexto de vida do paciente e identifique mudanças que possam indicar a necessidade de acompanhamento específico.

O cuidado com a saúde mental deve estar integrado ao acompanhamento da saúde física e ser realizado sem estigmas.

Hábitos e prevenção também fazem parte do check-up

O check-up não significa necessariamente realizar uma grande quantidade de exames. A avaliação deve levar em consideração as características individuais de cada paciente e os fatores de risco identificados durante a consulta.

Além de doenças crônicas, o acompanhamento pode abordar vacinação, saúde sexual, alimentação, atividade física, qualidade do sono, consumo de álcool e outras drogas.

As chamadas causas externas também merecem atenção. Acidentes de trânsito e episódios de violência estão entre os fatores que contribuem para a mortalidade masculina, e comportamentos de risco relacionados a padrões culturais de masculinidade podem ser trabalhados por meio de ações de prevenção.

A principal orientação é não esperar pelo aparecimento de sintomas para procurar atendimento. Consultas regulares permitem acompanhar a saúde ao longo do tempo e identificar alterações antes que elas provoquem consequências mais graves.

Prevenção começa com acompanhamento regular

A resistência de parte dos homens em procurar atendimento médico pode estar relacionada a tabus, desinformação e receio de receber um diagnóstico.

A mudança desse comportamento passa pela compreensão de que cuidar da saúde não significa apenas tratar uma doença depois que ela aparece. O acompanhamento periódico permite avaliar riscos, atualizar vacinas, orientar mudanças de hábitos e solicitar exames quando realmente houver indicação.

A frequência das consultas e os exames necessários devem ser definidos individualmente, de acordo com idade, histórico familiar, condições de saúde e fatores de risco.

Mais do que realizar exames indiscriminadamente, a prevenção envolve manter uma rotina de cuidados que ajude o homem a preservar a saúde, a qualidade de vida e a independência ao longo dos anos.