CBF e Dunga não têm autonomia para escolher rivais do Brasil
Nem a CBF nem o técnico Dunga tem autonomia para definir sozinhos os adversários contra os quais querem jogar para preparar a seleção brasileira. Segundo o contrato secreto que estabelece as regras para a realização de partidas da equipe, os times que atuam contra o País passam pelo crivo da empresa que detém os direitos sobre os amistosos, a…

Nem a CBF nem o técnico Dunga tem autonomia para definir sozinhos os adversários contra os quais querem jogar para preparar a seleção brasileira. Segundo o contrato secreto que estabelece as regras para a realização de partidas da equipe, os times que atuam contra o País passam pelo crivo da empresa que detém os direitos sobre os amistosos, a ISE, e não apenas pelos planos do Brasil para preparar seu time para competições oficiais. Essa regra vai incluir até mesmo as partidas preparatórias para as Copas de 2018 e 2022.
Há uma semana, o Estado de S. Paulo revelou com exclusividade contrato entre a CBF e a empresa de fachada ISE, com sede nas Ilhas Cayman. A entidade brasileira vendeu para a companhia de investidores sauditas o direito de explorar a imagem da seleção e organizar amistosos em troca de um cachê fixo. Mas, no documento, fica estabelecido regras até para a convocação de jogadores. Em um dos artigos, está estabelecido que um substituto de jogador titular pode ser convocado apenas depois de um acordo entre a CBF e a ISE. O mesmo artigo determina que tal atleta precisa ter o mesmo “valor de marketing” que o titular.
Pelo contrato, a ISE tem o direito exclusivo de explorar comercialmente a seleção brasileira até 2022, definindo até mesmo o valor dos ingressos das partidas. O controle, contudo, vai além e inclui até mesmo o plano de preparação de adversários. “O time B será selecionado por consenso mútuo entre as partes”, declara o artigo 11.5 do acordo. O time B é o “time de futebol que disputará uma partida amistosa” contra o Brasil. Na prática, o que esse artigo confere é o direito de a empresa selecionar e propor amistosos que tenham apelo comercial. A CBF, apesar de ser consultada, não pode tomar uma decisão sozinha sobre quem quer enfrentar apenas com base em um plano esportivo e técnico.
Ex-funcionários que trabalhavam em amistosos confirmaram à reportagem que a praxe era de que a empresa apresentava duas opções de jogos à comissão técnica, mas sempre com o aspecto da renda da partida sendo levado em consideração. O local do jogo é uma decisão que também passa pela empresa que detém os direitos. No contrato, ao explicar o termo “local”, o documento é explícito: “Local é a cidade onde se jogará a partida, escolhida pela ISE, com a concordância da CBF”, indica o artigo 1.5. “O horário do início do jogo será decidido pela ISE, em acordo com a CBF.”
COPA – Pelo contrato, tal influência comercial na escolha das partidas vai ocorrer até mesmo no período de preparação para a Copa de 2018 e 2022. Segundo o contrato, a “ISE terá o direito de usar e explorar os campos de treinamento da CBF pré-Copa Mundial de 2018 e Copa Mundial Fifa 2022, incluindo qualquer partida de treino realizada anteriormente às Copas de 2018 e 2022”. O contrato com a ISE é de fato o que rege qualquer outro acordo da CBF. Segundo o documento, a Nike tem o direito de realizar dez amistosos da seleção entre 2012 e 2018. Mas, nesse caso, o cachê pago à CBF é reduzido em 20%.
Em nota emitida no último domingo, a CBF rejeita qualquer envolvimento comercial de empresas nas determinações da seleção e aponta que o contrato tem dado resultados positivos.
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