Central supera “cegueira” e renasce para o esporte no Vôlei Taubaté

Deivid ficou um ano e meio parado e quase desistiu do esporte

Escrito por: Thiago Fadini4 min de leitura
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Deivid, central do Vôlei Taubaté

Jonas Barbetta/Tuddo Comunicação

Fechar os olhos e correr o risco de nunca mais enxergar. Abrir novamente e se ver entre os melhores jogadores de vôlei do Brasil. Essa é a história de Deivid Júnior Costa, 26, atleta da equipe de Taubaté.

O central, que participou da conquista do Campeonato Paulista em outubro de 2014, é conhecido pelos óculos que usa durante os jogos. No entanto, pouca gente sabe que eles representam um renascimento para Deivid.

Nascido em Rafard, cidade de oito mil habitantes do interior de São Paulo, o atleta saiu de casa logo aos 14 anos para jogar voleibol no Pinheiros, em São Paulo. Por lá, conquistou três títulos paulistas. Jogou também pela seleção brasileira (infanto e juvenil) e faturou dois sul-americanos.

Em destaque, Deivid foi convidado para atuar pelo Minas. Lá o central faturou a Superliga, em 2007 . Ele ainda teve passagem rápida por Montes Claros (MG) até chegar ao Pindamonhangaba (atual Vôlei Taubaté).

Em 2012, o jogador descobriu que tinha ceratocone, uma doença que afeta a córnea e que pode deixar o paciente praticamente cego. Além disso, ele teve que lidar com 21 graus de astigmatismo. Com o diagnóstico, não houve saída a não ser a sala de cirurgia de uma clínica de Sorocaba (SP). No entanto, o problema poderia ter sido evitado se na adolescência os cuidados tivessem sido maiores.

“Com 17 anos eu tive o incomodo. Busquei algumas lentes que se encaixaram, mas tinha que continuar o programa e não continuei. Quando eu vim pra Pindamonhangaba, o Ricardo (Navajas, coordenador da equipe) deu uma apertada e disse que eu tinha que cuidar da visão e descobri que tinha e foi meio complicado. Fiquei com 10% (da visão) e tive que operar. No primeiro mês fiquei meio assustado, mas depois vi que tinha que ter uma vida melhor pra continuar no vôlei”, contou.

Durante a recuperação, o meia de rede levou um novo susto e um pesadelo começou. A gana em voltar à quadra e a vontade de treinar fizeram com que os pontos se rompessem e mais uma vez Deivid foi levado ao centro cirúrgico. O repouso que seria de seis meses, virou para 18.

Enquanto dava descanso ao olho esquerdo, Deivid acompanhou com agonia a equipe de Taubaté se salvar do rebaixamento na Superliga 2013/2014, algo torturante para o ex-atleta da seleção brasileira.

“Acho que o foco foi tanto que acabei estourando alguns pontos e tive que refazer. Era pra ficar apenas seis meses parado e acabei ficando quase um ano e meio, e no ano passado foi difícil, porque foi o primeiro ano em Taubaté, a equipe precisava de mim e não puder ajudar. Pensei que ia acabar a carreira”.

Com o fim da temporada, apenas três jogadores foram mantidos e entre eles, Deivid. A determinação e persistência presentearam o central com um retorno saudável ao voleibol e tendo como companheiros Sidão, Rapha, Lipe, Lorena, Dante, além de outros experientes atletas.

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Atleta passou por cirurgia de córnea e longa recuperação de 18 meses

Thiago Fadini/Meon

“Hoje eu tenho honra de participar desse grupo, sou um privilegiado. Depois de um ano meio voltar num time assim com Dante, Rapha, Sidão, Maurício, Lorena, Alberto… Então tenho que agradecer mesmo a Deus e fazer de tudo pra chegar no nível deles”, falou.

Oportunidade
Na final estadual de 2014, o central ganhou uma chance de se firmar entre os titulares ao substituir Sidão, que se machucou durante o primeiro jogo. A qualidade foi reconhecida e hoje Deivid é peça fundamental da equipe comandada por Cézar Douglas.

Se depender do técnico, o central pode enxergar muito além do que imagina.

“É um jogador que tem uma qualidade física impressionante. Quanto mais cedo a gente aprender com essas superações de vida, seja dentro de quadra ou fora dela, dentro da vida pessoal mesmo, é um aprendizado e vamos evoluindo. Ele tem evoluído e se fortalecido”, disse o técnico.

A trajetória trouxe verdadeiras lições de vida ao meia de rede, que vê a doença como um divisor de águas na própria vida e a volta ao esporte como o maior dos presentes.

“Eu amadureci muito ficando um ano e meio parado. Acho que estava indo em uma direção errada na carreira, então Deus às vezes dá isso pra que a gente possa parar e pensar. Talvez nem estivesse aqui se não tivesse acontecido tudo isso”, concluiu Deivid.

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