Cientista do Inpe de São José conta experiência em base militar russa
O cientista do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espacias), em São José dos Campos, Otávio Santos Cupertino Durão, foi um dos brasileiros que viajou até a Rússia para acompanhar o lançamento do primeiro cubsat nacional, o NanosatC-BR1, realizado em 19 de junho deste ano.


Otávio Durão na base russa de lançamento de foguetes
Otávio Durão/Arquivo pessoal
O cientista do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espacias), em São José dos Campos, Otávio Santos Cupertino Durão, foi um dos brasileiros que viajou até a Rússia para acompanhar o lançamento do primeiro cubsat nacional, o NanosatC-BR1, realizado em 19 de junho deste ano.
Engenheiro civil graduado pela PUC (Pontifícia Universidade Católica) do Rio de Janeiro, onde nasceu, sua trajetória em São José dos Campos começou em 1986, quando voltou de um doutorado nos Estados Unidos.
“Vim para trabalhar no Inpe e fiquei. Aqui casei, tive meu filho e hoje sou avô de quatro netos. A cidade, que já era boa, ficou ainda melhor, hoje está moderna, muito boa de se viver. Daqui não saio”, garante.
Ao Meon, Durão, que acompanha atualmente os projetos NanosatC-BR2 e ITASAT1, o primeiro cubsat com tecnologia 100% nacional, conta um pouco da sua experiência e sobre como os países de primeiro mundo vêem os trabalhos de ciência e tecnologia desenvolvidos em São José.
Como se sentiu ao acompanhar o lançamento na Rússia?
Já tinha participado de outra missão, que chamamos de campanha de lançamento de um foguete, mas é a mesma expectativa: se ia dar certo ou não. Fomos para a Rússia em quatro pessoas: eu, outro pesquisador e mais dois alunos. Foi muito bom e uma euforia porque deu tudo certo. Foram lançados lá, naquele mesmo dia, 37 satélites pequenos, 30 cubsats e 7 satélites de maior porte, todos com sucesso.
Como foi a missão?
Fomos no domingo e voltamos no outro domingo. A base russa fica a mais 2.000 quilômetros de Moscou. Sendo uma antiga base de mísseis, as condições de estadia eram muito boas. Tinha representantes de 14 países. Um momento emocionante foi depois do lançamento dar certo, ver cientistas por exemplo de Israel se confraternizando com os da Arábia Saudita.
Qual a importância desta missão para você?
Foi muito importante do ponto de vista pessoal porque todo o projeto surgiu por meio de uma bolsa de iniciação científica de um aluno vindo de Santa Maria (RS) que eu orientei. Pouco tempo depois que os cubsats surgiram no mundo, esse aluno me procurou e sugeri esse tema para a tese de graduação. O trabalho deu certo, outros pesquisadores viram e um deles me procurou em um congresso para desenvolver o pequeno satélite daquele aluno.
Resolvemos concretizar e deu certo. Foi feito e lançado. Isso faz nove anos, desde surgir a ideia até a decisão de fazer, operar. É uma satisfação participar de um trabalho completo, desde o início até o fim, pois nunca tinha vivido isso. Sempre faço parte de algumas fases, mas esse foi diferente e foi muito gratificante, aprendi muito.
Sobre a sua missão na Rússia, qual a importância deste projeto para o Inpe e, especialmente, para a região de São José dos Campos onde trabalha?
É bastante importante porque abre uma perspectiva nova de satélites de baixo custo e menor logística. O NanosatC-Br1 está funcionando, provou que é útil. Esse satélite abre perspectiva para muitos pesquisadores que usam foguetes de sondagem como uma outra opção. Para a região é importante também. Como foi uma parceria feita com Santa Maria (RS), toda a parte de teste foi feita aqui no Inpe de São José.
Muitos engenheiros daqui participaram, como sempre acontece. Outro aspecto importante é que incentiva também a produção para o setor aeroespacial na região no Parque Tecnológico, que já tem empresas produzindo esse tipo de nanossatélite. O ITA também está envolvido em projetos nessa área. O ITA-ASP 14 está usando tecnologia reversa para produzir um modelo totalmente nacional.
Como os cientistas do mundo olham para a São José dos Campos?
Muita gente conhece São José no meio tecnológico. O Inpe é conhecido em todos os lugares do mundo. Sabem muito da cidade pela Embraer e pelo CTA. São José tem essa imagem de polo tecnológico, especialmente, para quem é do ramo.
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