Clima político melhor, IPCA abaixo da mediana e dólar levam juros para baixo

O clima político melhor depois que o vice-presidente da República Michel Temer assumiu a articulação do governo, o IPCA abaixo da mediana e o recuo do dólar pelo sétimo pregão consecutivo garantiram uma sessão de baixa às taxas de juros futuros nesta quarta-feira, 8. A ata do Federal Reserve (Fed, banco central dos EUA), divulgada no meio da…

Escrito por: Conteúdo Estadão4 min de leitura
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O clima político melhor depois que o vice-presidente da República Michel Temer assumiu a articulação do governo, o IPCA abaixo da mediana e o recuo do dólar pelo sétimo pregão consecutivo garantiram uma sessão de baixa às taxas de juros futuros nesta quarta-feira, 8. A ata do Federal Reserve (Fed, banco central dos EUA), divulgada no meio da tarde, causou um impacto apenas pontual nos juros dos DIs.

O contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) com vencimento em julho de 2015 (55.585 contratos) fechou em 12,975%, ante 13,002% no ajuste de ontem. O DI para janeiro de 2016 (297.510 contratos) indicava 13,22%, de 13,29%. O DI para janeiro de 2017 (367.395 contratos) apontava 12,98%, ante 13,11% no ajuste anterior, e o DI para janeiro de 2021 projetava 12,53%, de 12,72%. O dólar à vista no balcão caía 1,31%, a R$ 3,082.

O dólar teve hoje sua sétima e mais contundente queda dos últimos dias, de 2,18%, a R$ 3,055, menor preço desde 6 de março. Acumulou recuo de 5,59% no período.

O movimento do dólar influenciou os juros, mas as taxas perseguiram a trajetória de baixa influenciadas principalmente pelo noticiário político favorável e ainda pelo IPCA abaixo da mediana – apesar de ter vindo salgado e continuar mantendo o dado em 12 meses bem acima do teto da meta.

Temer foi escolhido para a articulação política depois que o Secretário de Aviação Civil, Eliseu Padilha (PMDB-RS), recusou o convite feito pela presidente. ‘Tapa-buraco’, a solução, entretanto, teve um resultado definitivo para o governo: a leitura do mercado foi amplamente positiva, sobretudo depois que Temer, hoje, garantiu a assinatura, pelos líderes, de um documento no qual os parlamentares afirmam apoiar “o esforço pelo equilíbrio e estabilidade fiscal”.

A presidente Dilma deu carta branca a seu vice e exclusividade na negociação política com o Congresso. Com isso, espera ter destravado os empecilhos para a aprovação das medidas fiscais – criados sobretudo pelo próprio PMDB. E isso trouxe um ambiente mais positivo para o mercado, que espera, assim, ver a meta fiscal cumprida neste ano de gestão de Joaquim Levy.

No encontro que coordenou com os líderes da base aliada nesta tarde, Temer conseguiu ainda o compromisso de que “nada que importe despesa ou redução das receitas seria neste momento examinado”. Além disso, as medidas de ajuste fiscal devem ser naturalmente examinadas pelo Congresso Nacional.

O anúncio, logo cedo, do ministro Joaquim Levy sobre a intenção do governo de abrir o capital da Caixa Seguridade também foi ao encontro do cenário positivo que marcou esta quarta-feira, uma vez que serão mais recursos para facilitar a meta de superávit de 1,2% do PIB neste ano.

O IPCA subiu 1,32% em março, abaixo da mediana de 1,37% das estimativas apuradas pelo AE Projeções (com intervalo de 1,20% a 1,45%). Mas foi a maior taxa desde fevereiro de 2003 (1,57%). No acumulado do primeiro trimestre, a alta foi de 3,83%, também abaixo da mediana esperada (3,89%, com base em previsões de 3,70% a 4,30%). Em 12 meses até março, o IPCA acumulou taxa de 8,13%. Levantamento feito hoje pelo AE Projeções mostrou que, para o mercado, o IPCA de 2015 deve ficar entre 7,50% a 8,90%, com mediana de 8,20%.

Outro indicador divulgado hoje foi o IGP-DI, que subiu 1,21% em março, após avançar 0,53% no mês anterior, segundo a Fundação Getúlio Vargas (FGV). O resultado ficou ligeiramente acima do teto das previsões (0,90% a 1,20%, com mediana de 1,00%). Já o Índice de Preços ao Consumidor – Semanal (IPC-S) desacelerou para 1,22% na primeira quadrissemana de abril, ante 1,41% na quarta leitura de março. E o Índice de Commodities do Banco Central (IC-Br) mostrou alta de 7,88% em março ante fevereiro.

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