Cloroquina: o medicamento que está sendo estudado no combate à Covid-19

A eficácia contra o coronavírus ainda é discutida na comunidade científica internacional

Escrito por: Vinicius Assis4 min de leitura
fundo_placeholder-023136
Divulgação/Agência Brasil
O medicamento já é utilizado no combate a malária, reumatismo e doenças autoimunes (Divulgação/Agência Brasil)

A cloroquina se tornou o medicamento no centro das atenções da batalha contra a Covid-19. O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) já apontou como “bala de prata” contra o vírus. Criada em 1944, já parou de ser testada em alguns lugares do mundo pelos efeitos colaterais que pode trazer como problemas cardíacos e até mesmo agravar a doença.

A cloroquina é o derivado sintético da quinina, uma árvore nativa do norte do país e que os povos indígenas utilizam para tratar alguns sintomas de doenças, como febre e dores. A versão química foi descoberta em 1934, mas passou a ser utilizada em humanos apenas em 1944, para tratar majoritariamente a malária.

É utilizada também para tratar doenças como o lúpus e artrite reumatoide. Como função de um imunomodulador, a cloroquina tem a função de tornar o sistema imunológico do indivíduo mais forte contra a doença que já está no organismo do paciente. No caso do coronavírus, é esperado que atue inibindo a reprodução do vírus.

Se não existem evidências por que é usada em alguns pacientes?

O medicamento é utilizado no tratamento da Covid-19 em último caso, como está sendo feito em São José dos Campos, Taubaté, Pindamonhangaba e Jacareí. Os médicos chamam de uso por compaixão e a decisão tem que partir de um médico. Ainda assim, o profissional responsável conversa com o infectado e expõe os possíveis riscos e complicações que o medicamento pode trazer. Caso não seja possível falar com o paciente, o médico expõe as mesmas informações para a família. Somente se o infectado ou a família aceitar, o médico utiliza a cloroquina no tratamento.

Ainda assim, os resultados que o medicamento traz varia de pessoa para pessoa.

É fato que algumas pessoas foram curadas utilizando a cloroquina, mas não há nenhum artigo científico que comprove que o medicamento é eficaz em todos os casos. Um estudo na Suécia teve que ser interrompido pelo excesso de pacientes com complicações após usar o medicamento.

Até mesmo dentro do governo brasileiro o uso do medicamento foi motivo de divergência. Luiz Henrique Mandetta, ex-ministro da Saúde tinha postura cautelosa em relação ao medicamento, diferente do presidente Jair Bolsonaro, que defende o uso. Situação que gerou desentendimentos entre os dois, e fez parte do pacote de motivos que levou à saída de Mandetta do cargo.

Com Nelson Teich, novo ministro da pasta, algumas pessoas acreditaram que o uso da cloroquina seria expandido, mas o ministro também prefere adquirir postura cautelosa e científica ao invés de política. Em videoconferência no senado nesta quarta-feira (29), Teich afirmou que “Cloroquina hoje ainda é uma incerteza, houve estudos iniciais que sugeriram benefícios, mas existem hoje estudos que dizem o contrário”, afirmou. Para o ministro, a cloroquina “não será um divisor de águas em relação a doença”. 

O ministro ainda disse que vai esperar o resultado de estudos sobre o medicamento que estão em andamento no país e que devem sair na semana que vem. Mas ainda não informou se existe a possibilidade de mudar os protocolos de tratamento da doença com o resultado dos testes.

Já o CFM (Conselho Federal de Medicina) deu um parecer favorável ao uso em pacientes em estágios iniciais da doença e até uso domiciliar, mesmo sempre com a prescrição de um médico. O órgão ressaltou que ainda não existem estudos que indiquem a eficácia do medicamento. Para justificar a decisão, o órgão declarou que ainda não existem tratamentos eficazes contra a doença.

A boa notícia

O ministro de Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações, Marcos Pontes anunciou no dia 15 de abril, a realização de testes que, segundo ele, resultaram em  94% de eficácia contra o vírus nas pesquisas. O ministro preferiu não divulgar o nome do medicamento “para evitar uma correria em torno dele sem ter certeza de que ele irá funcionar”, como ele disse em entrevista coletiva. De acordo com Marcos Pontes, o medicamento será testado em humanos infectados pela Covid-19 dentro de um mês. Lembrando que Os resultados de exames in vitro, como este, podem ser diferentes quando aplicados em humanos. O jeito é esperar para ver.

Tags:CoronavírusdestaquerotativoPublicado em: