Comic Con Experience mostra que crise passa longe da cultura pop

Na contramão do mercado, feira dobra de tamanho em 2015

Escrito por: João Pedro Teles4 min de leitura
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O mundo da cultura pop conheceu a nossa batucada. Provou do molho da baiana e agora não arreda pé das terras tupiniquins. É essa a impressão que se tem ao visitar a segunda edição da Comic Con Experience, que teve inicio nesta quinta-feira (3) e vai até domingo (6), em São Paulo. Com mais de 95 expositores entre as maiores empresas e estúdios de entretenimento do planeta, a feira superou todas as expectativas de crescimento e, apesar da pouca idade, já vem sendo comparada com as maiores Comic Cons do mundo.

Neste ano, o público, que em 2014 foi de 97 mil pessoas, pulou para 120 mil, o que representa aumento de 23,7% de um ano para o outro. O número expressivo dá uma dimensão da enorme capacidade de mercado que cinema, quadrinhos e séries encontram no país.

Alheio à crise econômica, a força da convenção mostra que o país pode ser considerado a bola da vez entre os gigantes do ramo.

“Os estúdios de fora saíram da última edição da Comic Con abismados com a receptividade do público brasileiro e voltaram para seus países animadíssimos com tudo o que viram aqui. O resultado é o que estamos vendo, uma feira que cresceu em importância e tamanho em um curto espaço de tempo”, explica Pierre Mantovani, CEO do grupo Omelete, que organiza o evento.

O sucesso da convenção reflete nos bons números das empresas do setor. Para Renan Pizii, da Pizzi Toys e Iron Studios — responsáveis pela criação de bonecos inspirados na cultura pop — está difícil atender a demanda pelos produtos e a empresa segue em pleno crescimento nos últimos anos.

“Estamos percebendo que a demanda é enorme e há muita gente interessada em consumir esses produtos. Nossa expectativa é que os números continuem bons para o setor”, explica.

Sold Out
O otimismo dos organizadores não é em vão. Nos estandes de produtos colecionáveis, que chegam a cobrar mais de R$ 10 mil por uma peça, fãs chegam a enfrentar três horas de fila para garantir modelos manufaturados exclusivamente para a Comic Con. E o sacrifício não é garantia de levar para casa o item desejado.

No caso do empresário Sérgio da Silva e do psicólogo Renato Barbosa, as horas de fila não foram suficientes para garantir as réplicas desejadas. “Depois de algumas horas, a representante do Iron Studios nos avisou que todos os exclusivos já tinham se esgotado”, explica Barbosa, que também é colecionador.

Mais sorte teve o professor Caio da Silva, de Juiz de Fora (MG). O mineiro foi o último a garantir um exemplar do sabre de luz do vilão Kylo Ren, personagem de Star Wars: o Despertar da Força.  Valor desembolsado? R$ 1.500.

“Não é que na feira seja mais barato do que em outros lugares, mas aqui a emoção é tão grande que não tem como deixar a oportunidade passar. Meu amigo ali também comprou o último sabre do Darth Vader”, comenta.

Experiência
E é justamente nessa emoção que está a aposta dos organizadores da feira. O “efeito uau” é utilizado com maestria para oferecer aos frequentadores uma experiência inesquecível — ou épica, termo que marca a campanha de divulgação da Comic Con.

Tudo na organização do evento conflui para fazer encher de lágrimas os olhinhos nerds. Para se ter uma ideia, até os hotéis das redes credenciadas são customizados no período de duração da feira para incrementar a tal experiência.

“Nesses hotéis, o atendente está de cosplay, a plaquinha do não perturbe traz uma ilustração do Homem de Ferro, os elevadores estão adesivados com o pôster do evento. Agora, você imagina a surpresa de quem vem. Isso não tem preço, cara”, explica Érico Borgo, diretor de conteúdo do Grupo Omelete. “E isso só é possível porque o evento é feito de fã para fã. Tem muita paixão envolvida”, complementa.

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