Comissão Processante pede cassação do prefeito de Caçapava, Yan Lopes
Relatório final aponta duas possíveis infrações político-administrativas; decisão sobre a perda do mandato será dos vereadores, e são necessários pelo menos oito votos favoráveis

A Comissão Processante da Câmara Municipal de Caçapava concluiu a investigação contra o prefeito Yan Lopes (Podemos) e recomendou a cassação do mandato. O relatório final foi protocolado nesta terça-feira (3), antes do prazo previsto para o encerramento dos trabalhos, e aponta duas infrações político-administrativas que teriam sido cometidas pelo chefe do Executivo.
O documento, com 82 páginas, considera procedentes as acusações relacionadas ao uso de recursos do Fundo Municipal de Transporte e Trânsito e ao suposto descumprimento de requerimentos de informações aprovados pela Câmara.
A recomendação, porém, não significa que o prefeito tenha sido cassado. Agora, o processo segue para a Presidência da Câmara, que deverá marcar uma sessão de julgamento. A decisão final caberá ao plenário, e serão necessários pelo menos oito votos favoráveis entre os 11 vereadores para a perda do mandato.
Relatório aponta uso de R$ 2,1 milhões do fundo municipal
Uma das acusações envolve a utilização de R$ 2.161.600 do Fundo Municipal de Transporte e Trânsito para o pagamento de subsídios às empresas responsáveis pelo transporte coletivo de Caçapava.
Segundo a comissão, parte dos valores utilizados teria origem na arrecadação de multas de trânsito. O relatório concluiu que a destinação desses recursos para subsidiar o transporte público contrariaria o artigo 320 do Código de Trânsito Brasileiro (CTB), que estabelece as finalidades permitidas para a aplicação da receita das multas.
Entre as destinações previstas na legislação estão sinalização, engenharia de tráfego, fiscalização, policiamento, educação para o trânsito e renovação da frota circulante.
Durante depoimento à comissão, em 8 de outubro, Yan Lopes reconheceu ter autorizado a utilização do fundo para subsidiar o transporte coletivo. A defesa, por sua vez, argumentou que a medida teve respaldo em parecer da Procuradoria Jurídica do município.
Segunda acusação envolve pedidos de informações da Câmara
A outra infração apontada no relatório diz respeito ao atendimento incompleto de requerimentos apresentados pelos vereadores.
De acordo com a comissão, a Prefeitura deixou de encaminhar documentos solicitados pelo Legislativo para fiscalizar a arrecadação e a aplicação dos recursos do Fundo Municipal de Transporte e Trânsito.
A defesa alegou que o volume de documentos e dificuldades administrativas justificaram o envio parcial das informações. Também sustentou que parte do material foi encaminhada posteriormente.
A comissão, entretanto, entendeu que a entrega de documentos após as solicitações não corrigiu o descumprimento inicial dos requerimentos.
Defesa contesta relatório e aponta falhas no processo
Durante a tramitação, os advogados de Yan Lopes questionaram a condução da investigação, a legalidade da comissão e a interpretação dos documentos financeiros. Nas alegações finais, protocoladas em 27 de outubro, a defesa pediu que a denúncia fosse considerada improcedente e que o processo fosse arquivado.
Outro ponto questionado foi a participação da vereadora Fran Miranda (PL), presidente da Comissão Processante e tia do prefeito.
Em nota, o advogado Anthero Mendes Pereira Junior afirmou que o relatório apresenta falhas, entre elas o que classificou como cerceamento de defesa e o parentesco entre a vereadora e o chefe do Executivo.
A defesa declarou ainda ter confiança de que os demais vereadores irão absolver o prefeito.
O que acontece agora?
Com a entrega do relatório, caberá ao presidente da Câmara, vereador Adilson Henrique (PL), definir a data da sessão de julgamento.
A votação será nominal e deverá analisar separadamente as infrações apontadas. Para que Yan Lopes perca o mandato, pelo menos oito dos 11 vereadores precisam votar pela cassação.
A Comissão Processante foi instaurada em 11 de agosto, após a Câmara aprovar o recebimento da denúncia apresentada por moradores. Até que o plenário tome uma decisão, o prefeito permanece no exercício do cargo.
Posts Relacionados


Justiça confirma prisão de quatro investigados por sequestro, agressão a pauladas e violência doméstica em Caçapava

PM e BAEP resgatam mulher mantida em ‘tribunal do crime’ e prendem quatro suspeitos em Caçapava
