Crise do Ueno Bank leva protestos a Assunção e abala governo de Santiago Peña no Paraguai

Banco Central interveio na instituição, que tem cerca de 2,9 milhões de clientes; presidente do BCP renunciou e senadores falam em impeachment.

Escrito por: Sabine Baumann2 min de leitura
Vista de Assunção, capital do Paraguai
Vista de Assunção, capital do Paraguai

A intervenção do Banco Central do Paraguai (BCP) no Ueno Bank, um dos maiores bancos do país, provocou protestos nas ruas de Assunção e abriu uma crise política para o governo do presidente Santiago Peña. Vídeos publicados nas redes sociais mostram manifestantes e policiais em confronto no centro da capital paraguaia.

Segundo comunicado do BCP, a diretoria decidiu por unanimidade, na terça-feira (3), iniciar o procedimento de resolução do banco, depois de constatar que a solvência da instituição estava abaixo de 50% do mínimo exigido. O Ueno tem cerca de 2,9 milhões de clientes. As agências estão fechadas e os serviços, suspensos.

Aposentados e dinheiro público

A crise atinge também recursos públicos. De acordo com a agência EFE, o Instituto de Previsión Social (IPS), que administra aposentadorias de cerca de 32 mil pessoas, tem aproximadamente US$ 355 milhões aplicados no banco, cerca de 9% da sua carteira. A estatal de energia ANDE e a usina binacional de Itaipu também têm recursos na instituição.

O que acontece com os clientes

O Fundo de Garantia de Depósitos cobre até 75 salários mínimos por pessoa, cerca de 228 milhões de guaranis, o equivalente a aproximadamente US$ 38,6 mil. Segundo o BCP, os correntistas devem receber um primeiro pagamento de até 10 milhões de guaranis, cerca de US$ 1,6 mil, “o mais breve possível”. A Associação de Bancos do Paraguai afirmou que o restante do sistema financeiro funciona normalmente e descartou risco de contágio.

Renúncia e prisões

O presidente do Banco Central, Carlos Carvallo, renunciou ao cargo. Antes de assumir o BCP, em 2023, ele havia comandado a Financiera Ueno, que deu origem ao banco. Segundo a imprensa paraguaia, sete diretores da instituição foram detidos depois que o Ministério Público abriu uma investigação criminal.

A relação do presidente com o banco está no centro da crise. Peña foi acionista da Ueno Holding, segundo o próprio dirigente do banco, que afirmou que o presidente não tinha ligação com a instituição financeira. De acordo com o jornal ABC Color, ele vendeu sua participação em abril de 2025. Peña classificou o caso como “um caso particular”. Um grupo de senadores anunciou que vai defender a abertura de um processo de impeachment contra o presidente e o vice, Pedro Alliana.

Com informações do Banco Central do Paraguai, da agência EFE, da Bloomberg e do The News. Vídeo: reprodução/redes sociais.

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