Como o ato de pechinchar pode prejudicar o artesanato

“Estamos falando de uma história, de uma cultura e de uma pessoa que dedicou horas, senão dias ou semanas, para finalizar a obra”, explica colunista

Escrito por: Wagner Rodrigo Silva2 min de leitura
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Pechinchar é uma prática quase que cultural, principalmente quando estamos a passeio em uma cidade turística, em alguma feira de artesanato ou no mercado municipal. Sim, isso faz parte do nosso dia a dia, mas será que valorizamos o trabalho do artesão praticando o ato de pechinchar ? Eu também já pechinchei, mas aos poucos, conhecendo mais o universo do artesanato, vi o quanto essa ação desvaloriza o trabalho do artesão ou artesã.

Quando compramos uma peça de artesanato vamos para além da peça em si, estamos falando de uma história, de uma cultura e de uma pessoa que dedicou horas, senão dias ou semanas, para finalizar a obra.

Se compramos uma peça manual, quase sempre única para valorizar a economia local, por que pechinchamos? Há um tempo, vi uma campanha em vídeo do México, onde a cultura de pechinchar é habitual, mostrando a importância do não “regatear” como é chamado à maneira de pedir “um descontinho” por lá.

No México, quando o artesão era indagado sobre o preço de seu artesanato ele não falava o preço, mas sim quantas horas dedicava-se para construir esta peça. Depois de conversar, conhecer mais sobre o processo (muitas vezes eu compro mais por esta conversa do que pelo produto em si) ele falava o preço, e assim naturalmente poucos ainda pechincham, pois entenderam todo o processo por trás. Claro que estou falando de um artesanato local que não é comprar matéria prima em grandes centros e depois apenas replicar em construção de produtos “quase” em série industrial

Ao comprar estas peças locais estamos valorizando culturas ancestrais de comunidades ribeirinhas, indígenas, quilombolas, caipiras, caiçaras, entre outras. Quero acreditar que muitas vezes ao pechinchar este comprador ainda não tem dimensão de todo o trabalho envolvido, mas ao que perceber possa valorizar esta arte.

Até aqui, em poucas palavras espero ter conseguido levar até você, leitor, um pouco do universo do artesão. Mas, deixo o convite para alguns questionamentos: já se imaginou entrando numa famosa loja, num supermercado ou num restaurante, e ao passar pelo caixa tentar pechinchar o preço? Então porque fazemos isso com o artesanato? Que tal refletir? E neste momento de presentes de fim de ano, fica a dica de valorizar o artesanato de sua cidade ou região.

Wagner Rodrigo Silva
Wagner Rodrigo Silva

Produtor cultural com experiência no Desenvolvimento, Gestão e Consultoria em projetos de formação em Arte, Produção Cultural, Produção de Conteúdo Audiovisual e Gestão em Políticas Públicas para a Cultura. É Produtor Executivo e um dos idealizadores da série de documentários “Ofícios”. Especiali…

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