EXCLUSIVO: Conheça como será desenvolvido o “carro voador”

Engenheiro explica desde a produção à segurança do eVTOL

Escrito por: Reinaldo Moreira5 min de leitura
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O engenheiro Ricardo Takeshi Demizu, 55 anos, trabalhou 36 anos na Embraer em projetos relacionados a sistemas elétricos de aeronaves. Bacharel em Engenharia Elétrica e Mestre em Administração de Empresas, Ricardo tem grande experiência na engenharia de sistemas elétricos, design e desenvolvimento de sistemas de aeronaves, funções do sistema, requisitos, arquitetura, design de segurança, base/plano de certificação e integração do veículo.

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Em entrevista ao MEON, o engenheiro explica como será desenvolvido o projeto das Aeronaves Elétricas de Decolagem e Pouso Vertical (eVTOL), popularmente chamado de carro voador.

MEON: Com a produção de motores elétricos, teremos queda significativa na produção de peças e motores à combustão. Como o engenheiro entende que a economia e a mão de obra (empregos), das cidades onde as fábricas atuam, serão impactadas nos próximos anos?

RICARDO: Eu entendo que para muitas pessoas, o impacto de novas tecnologias sobre seus empregos é uma fonte de ansiedade, mas também devemos lembrar que novas tecnologias sempre estiveram presentes na nossa evolução. Os avanços tecnológicos requerem maior capacitação das pessoas e também poderão ajudá-las a elevar a renda, mas para isso devem se preparar. Além disso, precisa haver políticas voltadas para a educação e capacitação da mão-de-obra para que possam ser explorados os benefícios dessas mudanças tecnológicas.

MEON: Os componentes elétricos e eletrônicos dos veículos e-VTOL são ou serão produzidos no Brasil?

RICARDO: É uma pergunta difícil de responder. Mesmo na indústria aeronáutica, muitos dos componentes elétrico/eletrônicos são importados. Acho que o Brasil tem pessoas extremamente capacitadas e teríamos condição de produzir esses componentes, mas teria que haver muito investimento nesse setor.

MEON: Se um veículo for atingido por um raio durante o voo, é possível que ele caia?

RICARDO: O projeto de uma aeronave já prevê esse evento de impacto de raios de forma que ele saia ileso. Isso não apenas por projeto, mas também considera as manutenções periódicas que verificam a integridade do projeto ao longo do tempo.

MEON: As baterias dos veículos e-VTOL são de longa duração, enquanto vida útil?

RICARDO: A tecnologia de baterias está em evolução constante e um dos critérios considerados é sua vida útil e isso não apenas para os e-VTOs, mas também para automóveis e os dispositivos do nosso dia a dia, como celulares. Além disso, o ciclo de vida de uma bateria também está muito ligado a como seria sua utilização e qual a margem de segurança em relação ao mínimo de capacidade restante que se pode contar.

MEON: Postos de recargas para os e-VTOL, serão viáveis?

RICARDO: Essa infraestrutura ainda tem que ser desenvolvida. Um dos fatores dentro desse segmento de e-VTOLs é o tempo que esse veículo pode estar disponível, ou seja, após completar um voo, quanto tempo depois, posso utilizar novamente? Isso requer uma elevada potência durante um curto período que vai afetar negativamente a infraestrutura da região. Existem estudos que vão desde o conceito de micro-grids local até estudos de utilização de baterias estacionárias para atender essa demanda.

MEON: O que ocorre se os veículos voadores ficarem sem energia durante o voo? Eles cairão?

RICARDO: Sim. Eles cairão. É por isso que são necessários dispositivos que garantam, além de indicação correta do estado de carga e capacidade das baterias, o entendimento do veículo de quanto será requerido para executar esse voo. Isso não seria muito diferente em relação ao uso de combustível, por exemplo, em um helicóptero ou até em um avião, para que eles não sofram com uma pane seca e venham a cair. A diferença é que gerenciar consumo de combustível tem um longo histórico de uso e aprendizado, enquanto o gerenciamento de energia ainda está começando.

MEON: Como deverá ser a manutenção elétrica dos e-VTOL de modo a manter a segurança daqueles que forem utilizar esse método de transporte?

RICARDO: Deve garantir segurança. Não apenas aos usuários diretos (passageiros e pilotos), mas também aos responsáveis pelos serviços de suporte, operação e manutenção. Esses veículos vão utilizar uma tensão elevada e prevenção contrachoques elétricos devem ser aplicados. A indústria automobilística já tem alguma experiência, mas isso terá que ser melhor explorado e desenvolvido.

MEON: Os ruídos dos rotores elétricos serão um problema com a utilização em larga escala? O e-VTOL fará muito barulho?

RICARDO: Interessante pergunta. O e-VTOL vai ser projetado para ser mais silencioso do que um helicóptero tradicional. Algumas informações de internet mostram que a emissão de ruído é bem baixa. Contudo o que é interessante nessa pergunta é referente ao ruído do motor elétrico. E nesse caso, o motor elétrico é muito silencioso comparado com qualquer motor a combustão. O elevado ruído gerado é devido às hélices e é exatamente aí que o motor elétrico pode fazer a diferença pela possibilidade de configurações diferentes (múltiplos motores) que combinados podem reduzir o ruído gerado.

MEON: Já temos toda a tecnologia necessária para a produção desses veículos elétricos voadores?

RICARDO: Sim. Já existem vários protótipos voando. O desafio é ter um veículo que atenda aos requisitos de segurança que ainda estão sendo discutidos com autoridades homologadoras. Outro desafio é em relação a sua autonomia, operação e utilização do espaço aéreo. E por último, a infraestrutura de operação. Portanto a caminho ainda é longo.

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