Conheça o “uruguayan style”
Céu vermelho, azulado, ocre, esverdeado. Em 21 dias de viagem pelo Uruguai, vi tantas tonalidades que não foi possível decidir qual cidade, das cinco que visitei, me proporcionou o mais belo pôr do sol. Talvez por isso o emblema nacional do país, estampado na bandeira, seja o Sol de Maio, uma representação do deus inca Apu Inti.


Pôr do sol no Rio Uruguai
Creativecommons/Divulgação
Céu vermelho, azulado, ocre, esverdeado. Em 21 dias de viagem pelo Uruguai, vi tantas tonalidades que não foi possível decidir qual cidade, das cinco que visitei, me proporcionou o mais belo pôr do sol. Talvez por isso o emblema nacional do país, estampado na bandeira, seja o Sol de Maio, uma representação do deus inca Apu Inti.
Sim, é possível conhecer o Uruguai em um fim de semana ou feriado – mas saiba que você vai voltar com um gostinho de quero mais. Para desvendar os segredos de El Paisito, viajar em modo slow travel é a pedida.
Na paisagem, planícies, colinas baixas, dois rios (o da Prata e o Negro), algumas lagunas ao longo do Atlântico e uma costa litorânea fértil. No ano passado, 400 mil brasileiros aportaram por lá e o governo lançou um pacote de benefícios, válido até 31 de julho, com incentivos para “nosotros”: isenção de impostos (que variam de 10,5% a 22%) sobre serviços de hospedagem, aluguel de veículos, locação de imóveis, vestuário e gastronomia – alguns, abatidos no pagamento e, outros, reembolsados no aeroporto.
Outra barbada: desconto de 24% no combustível (no cartão de crédito ou débito) em postos a até 20 quilômetros da fronteira. Além disso, os pedágios poderão ser pagos em reais.
O automóvel, afinal, acaba sendo a primeira escolha para explorar o Uruguai por terra (as estradas são bem conservadas), mas preferi usar o bom e velho transporte coletivo. Não me decepcionei. Fui da capital, Montevidéu, à histórica Colônia do Sacramento, da badalada Punta del Este às praias agrestes de Barra de Valizas e Cabo Polônio.
O uruguaio é simpático, hospitaleiro e carrega consigo uma simplicidade genuína, característica do homem do campo, o gaúcho A melhor expressão que encontrei para definir seu modo de ser? Uruguayan style.
Apesar de 95% da população descender de europeus, eles possuem um estilo único.
Não se assemelham a argentinos, a brasileiros ou a sul-americanos de modo geral. Parecem primos dos gaúchos do Rio Grande do Sul: a carne, o mate, as roupas e até as características físicas são similares.
Tradições e costumes passados de pai para filho têm grande importância por lá. Talvez por isso, moda, design e arte contemporânea não sejam pontos fortes do país. Apesar de existir uma jovem produção cultural aqui e ali, as proporções são tímidas quando comparadas à Argentina ou a outros países da América Latina.
Opções e diversidade não são abundantes no Paisito, mas podemos dizer que o que está disponível é de boa qualidade. Tudo no Uruguai é despretensioso, seja o restaurante pequeno da esquina que mais parece a casa de sua avó, seja a loja de design que improvisa no embrulho de presente.
Lição de casa
Se você pretende ir a algum balcão de informações turísticas, receber um mapa e dicas de passeios, desista. O melhor é pesquisar antes de sair do Brasil (levar o Viagem na mala, quem sabe?) e checar a agenda dos locais que pretende visitar.
Fora do horário de verão, por exemplo, os museus abrem no início da tarde e encerram a visitação por volta de 17h15. Alguns estabelecimentos não funcionam todos os dias, incluindo bares e restaurantes. Em certos feriados – como o carnaval – Montevidéu pode ficar vazia e melancólica, já que os moradores viajam para a costa e o comércio fecha.
Ah, e também esteja preparado para mudar de planos a qualquer momento. O dono daquela loja pode achar que o dia não está rendendo e fechar as portas mais cedo – ou nem abrir. Em compensação, simpatia e bom papo há em todo lugar – os uruguaios adoram longas conversações. Deu para entender agora do que se trata o uruguayan style?
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