Consumo de álcool no Brasil está acima da média mundial

Uma pesquisa recente realizada pela OMS (Organização Mundial de Saúde) revela que o consumo de álcool no Brasil supera em muito a média mundial. Coletados em 194 países, os dados revelam que o país ocupa a 53ª colocação entre os que mais consomem.

Escrito por: João Pedro Teles3 min de leitura
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Uma pesquisa recente realizada pela OMS (Organização Mundial de Saúde) revela que o consumo de bebidas alcoólicas no Brasil supera em muito a média mundial. Coletados em 194 países, os dados apontam que o país ocupa a 53ª colocação no ranking das nações com população que mais fazem uso do álcool.

Qualquer reunião entre amigos ou familiares gira em torno do consumo de álcool

Paulo Sodrépsicólogo

O estudo considerou pessoas a partir dos 15 anos de idade. Ainda de acordo com a OMS, dados de 2012 apontam que o número de mortes causadas pelo excesso de álcool em todo o mundo é de 3,3 milhões por ano.

De acordo com a pesquisa, a média mundial de consumo de álcool é de 6,2 litros anuais. No Brasil, este número chega aos 8,7 litros. A liderança do ranking é da Bielorrússia, país que registra um volume de 17,5 litros por pessoa.

Embora os brasileiros estejam acima da média no consumo de álcool comparado ao restante do mundo, os números no país apresentam uma queda nos últimos anos. Em 2004 essa taxa chegava aos 9,8 litros por pessoa.

Gênero
A diferença no consumo entre homens e mulheres é grande no país. Enquanto entre o público masculino o índice é de 13 litros por ano, no feminino é de 4 litros.

A bebida preferida é mesmo a cerveja, com 60% do consumo. Diferente dos nossos vizinhos sul-americanos, o vinho ainda representa o baixo índice de 4%, de acordo com a pesquisa.

Outro dado apontado diz respeito ao exagero no consumo de álcool. Entre os brasileiros, um terço dos entrevistados admitiram que já abusaram em alguma ocasião. Este é outro índice no qual o país ultrapassa a média mundial, que é de 16%.

Avaliação
Para o psicólogo Paulo Sodré, de São José dos Campos, os números refletem como o álcool está enraizado no cotidiano do brasileiro. De acordo com o profissional, desde muito cedo os jovens são apresentados às bebidas alcoólicas.

“Esta fase dos 14 ou 15 anos é um período em que os jovens estão se afirmando como indivíduos perante a sociedade. Com mais liberdade e individualidade, a tendência é que ele se inicie na bebida. É nessa faixa etária que as políticas públicas de conscientização sobre a bebida devem ser intensificadas”, afirma.

Outra questão levantada pelo psicólogo é o constante estímulo por parte tanto da mídia quanto de parentes e amigos. “A bebida está intimamente ligada aos momentos de prazer. Na nossa cultura, qualquer reunião de amigos ou familiares gira em torno do consumo de álcool. E essa questão independe da classe social. A única diferença entre pobres e ricos é o acesso às bebidas mais caras”, explica.

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