Crise altera hábitos de consumo em S. José, revela pesquisa de estudantes
Estudo mostra ainda que 78% dos entrevistados estão endividados


Pesquisa foi feita por estudantes de ciências contábeis
Divulgação
Algumas famílias de São José dos Campos, principalmente da classe média, tiveram hábitos de consumo alterados devido a crise econômica vivida no país. Isso é o que aponta uma pesquisa feita, como parte de um TCC (Trabalho de Conclusão de Curso), por quatro estudantes de Ciências Contábeis da cidade.
De acordo com as estudantes Célia Martins, Gislene Borges, Pamela Silva e Poliana Nascimento, a intenção do trabalho foi avaliar e analisar como as famílias estão se adequando à crise para identificar mudanças nos hábitos de consumo.
O estudo foi aplicado em 200 famílias nas regiões de São José durante o mês de junho e segundo a pesquisa, cerca de 80% dos entrevistados disseram que efetuaram alguma mudança no orçamento para lidar com a crise.
Outro dado preocupante é que 78% afirmaram estar endividados. Destes, 54,5% afirmaram que o grande vilão é o cartão de crédito, 30,5% disseram ter dívida com financiamento de veículos, 21% com empréstimos e 20,5% com financiamento de imóveis.
A pesquisa mostra ainda que, com o alto índice de endividamento, os investimentos ficam em segundo plano. Embora 54% afirmem possuir algum tipo de investimento, como caderneta de poupança e previdência privada, o volume tem sido reduzido nos últimos dois anos devido a redução da renda, instabilidade política e econômica e desemprego.
A maioria dos entrevistados (77%) é de classe média, ganham de até R$ 1.760 a R$ 3.520, sendo que 89% relataram ter de um a três membros no núcleo familiar. Com a crise, 36% afirmaram ter algum membro da família desempregado.
Segundo a pesquisa, uma das principais alterações nos hábitos de consumo foi na área da saúde, onde mais de 50% das famílias abriram mão de planos médico e odontológico nos últimos dois anos.
Entre as principais mudanças, 22% dos entrevistados revelaram redução de despesas com lazer e viagens; 11% estão indo menos ao supermercado; 10% cortaram alimentação em restaurantes; 7% diminuíram a utilização do veículo; 7% reduziram gastos com água, luz e telefone; 7% substituíram produtos por marcas mais baratas; 6% diminuíram as compras a crédito; 5% reduziram compras com vestuário, 4% cortaram TV a cabo e 2% deixaram de investir no mercado financeiro.
“Percebemos que houve um aumento considerável de preços entre os produtos e serviços de consumo básico, como alimentação, água, luz, telefone e combustível. Como é difícil reduzir esses itens, outras áreas como lazer e saúde acabaram sofrendo mais o impacto dos cortes”, afirma um dos orientadores do estudo, Prof. Dr. Carlos Mascarenhas.
De acordo com a pesquisa, dentre as motivações para as mudanças, 35% alegaram aumento de preço, 27,5% redução na renda, 23,5% deixaram de comprar por falta de confiança na economia, 8,5% por instabilidade política e 5,5% por desemprego.
Planejamento financeiro é a chave
A partir dos resultados, o trabalho ressaltou a importância do planejamento financeiro para lidar com a crise, lembrando que não se trata apenas de equilibrar receitas e despesas, mas também avaliar objetivos de vida, aprender a fazer escolhas inteligentes nas compras, evitar desperdícios, rever necessidades e prioridades.
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