Crítica gastronômica: o café que não é café
Dessa vez não começo meu texto de maneira animada, pois tive uma pequena reflexão sobre a evolução dos empreendimentos de alimentação. Óbvio que o Vale do Paraíba está em sentido satisfatório de crescimento cultural e financeiro, inclusive no quesito gastronômico, mas até quando manteremos as atitudes empresariais de interior para atender a um público sedento de bons produtos?


Muffin de sementes e o bolo de banana
Rafael Ferro
Dessa vez não começo meu texto de maneira animada, pois tive uma pequena reflexão sobre a evolução dos empreendimentos de alimentação. Óbvio que o Vale do Paraíba está em sentido satisfatório de crescimento cultural e financeiro, inclusive no quesito gastronômico, mas até quando manteremos as atitudes empresariais de interior para atender a um público sedento de bons produtos?
Felizmente a gastronomia não é mais brincadeira de servir, mesmo que poucos ainda saibam disso. Ter um estabelecimento alimentício exige muito boa formação e cuidado em todas as etapas de sua vida. Não é à toa que se criou uma graduação só para atender a esse mercado tão especializado.
No momento em que me deparo com algumas casas como o “Café da Madre”, realmente penso: por que não contratar pessoas qualificadas na área para nesse local? Mesmo com um espaço maravilhoso e cuidadosamente decorado de maneira rústica, lembrando uma casa acolhedora de interior, o local não tem estrutura operacional para atender as expectativas dos clientes.
O conceito do negócio se perde ao longo das opções do cardápio. Entre saladas, massas, pratos quentes, petiscos e doces, poucos pratos dentro dessas alternativas se apresentam compatíveis com o ambiente e a proposta do restaurante. Para ajudar essa confusão, o atendimento nem se propõe a dar sua opinião ou até mesmo a fazer sua função de atender.
Meu pedido foi simples, um café expresso (que, por sinal, não é com “x” e tinha gosto de máquina – R$ 3,80), um muffin de sementes (massudo – R$ 4,50), um pedaço do bolo de banana (gostoso e sabor de caseiro – R$ 8), um croque monsieur (feito no microondas? – R$ 15) e o maravilhoso suco de abacaxi com amora (R$ 7,50).

Croque monsieur e suco de abacaxi
Rafael Ferro
No cardápio também tem algumas outras opções interessantes como o cheesecake com calda de amora (R$ 9,50), bolo branco gelado (R$ 8,50) e a torta de laranja (R$ 8,50). Além disso, o local serve refeições no horário de almoço a um preço executivo e encomendas para levar para casa.
A verdade é que o estabelecimento quer ser universal, ou seja, está atirando para todos os lados, sendo que podia estar focando no melhor: a rusticidade e estilo caseiro do local. Aprimorando a logística de produção e os sabores das receitas, com certeza irá se tornar um ponto perfeito para um café da manhã/tarde.
SERVIÇO
Café da Madre
Endereço: Rua Madre Paula de São José, 133 – Vila Ema – São José dos Campos
https://www.facebook.com/CafedaMadre
Nota do crítico: 2 estrelas de 5 estrelas
Fonte: Rafael Ferro é gastrólogo pós-graduado em enologia, escritor de gastronomia e crítico gastronômico
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