Crivella cresce com discurso ecumênico
Em Campo Grande, na zona oeste, na quinta-feira passada, dia 22, o candidato do PRB à prefeitura do Rio, senador Marcelo Crivella, respondia a mais uma pergunta sobre política e religião. Dizia que “um partido político não pode ser de igreja, tem que ser de todos, católicos, espíritas, evangélicos, até de quem não tem religião”, quando uma…

Em Campo Grande, na zona oeste, na quinta-feira passada, dia 22, o candidato do PRB à prefeitura do Rio, senador Marcelo Crivella, respondia a mais uma pergunta sobre política e religião. Dizia que “um partido político não pode ser de igreja, tem que ser de todos, católicos, espíritas, evangélicos, até de quem não tem religião”, quando uma mulher gritou: “Ainda bem, porque sou macumbeira”. Era Andrea Soares, de 38 anos, filha de santo do candomblé, que abraçou o candidato e pediu: “Não abandone os candomblecistas”. Crivella respondeu: “Sou candidato a prefeito, não a preconceito”.
Líder nas pesquisas de intenção de voto, com 31% no Ibope e Datafolha, Crivella, carioca de 58 anos no segundo mandato parlamentar, dedica-se, nos últimos dias de campanha, a preparar correligionários para os ataques que, para ele, se intensificarão. Bispo licenciado da Igreja Universal do Reino de Deus, ele é sobrinho do bispo Edir Macedo, fundador da Universal. O parentesco é lembrado por adversários, em especial os aliados do candidato do PMDB, Pedro Paulo. O prefeito Eduardo Paes refere-se a Crivella como “preposto do Edir Macedo”.
O senador está na terceira disputa para a prefeitura. Já concorreu duas vezes o governo do Estado. Sempre começou as campanhas com bons índices de intenção de voto, mas só foi ao segundo turno em 2014 – perdeu para o governador reeleito Luiz Fernando Pezão (PMDB). Este ano, Crivella aprimorou a estratégia adotada há dois anos: desvinculou sua imagem da Universal, que não cita no site da campanha, divulgou o apoio de militantes LGBT, de outras religiões e do samba e reuniu em sua equipe experientes pensadores de esquerda.
Com 9% no Ibope, Marcelo Freixo (PSOL) tem dificuldade de ir além do eleitorado formado por universitários, artistas, intelectuais e defensores do direitos humanos. Jandira Feghali (PCdoB) soma 8% das intenções de voto e nacionalizou a campanha, ao rotular o impeachment como golpe e ir para a rua com a presidente cassada Dilma Rousseff e o antecessor, Luiz Inácio Lula da Silva.
Também estão embolados em segundo lugar nas pesquisas Indio da Costa (PSD), com 7% no Ibope, e Flávio Bolsonaro (PSC), filho do deputado federal Jair Bolsonaro, provável candidato a presidente em 2018. Flávio Bolsonaro tem 8%.
Rejeição
Afilhado de Eduardo Paes, o candidato do PMDB ainda não conseguiu conquistar o eleitorado que simpatiza com o prefeito. Pedro Paulo tem 9% de intenção de voto, enquanto Paes tem 27% de avaliação boa e ótima. Em outra ponta, o peemedebista tem a maior rejeição (36% dizem não votar nele de jeito nenhum) entre os candidatos, semelhante aos 34% que consideram a gestão de Paes ruim ou péssima. A rejeição de Crivella, que estava em 33%, caiu para 24% no último Ibope.
Na estratégia de descolar a imagem de Crivella de candidato exclusivo dos evangélicos, colaboradores católicos do senador chegaram a imprimir panfletos com fotografia da visita que fez ao arcebispo do Rio, d. Orani Tempesta. A Igreja Católica reagiu. Divulgou que d. Orani recebeu vários candidatos, mas não apoia nenhum deles.
Apesar das adaptações para ampliar o eleitorado, Crivella reitera ser contra o aborto e a legalização das drogas. Ao contrário de 2014, quando não se aliou, desta vez o candidato coligou-se ao PR, do ex-governador Anthony Garotinho, também evangélico, e com o nanico PTN.
Recall
Para o cientista político Michael Mohallem, da FGV, a redução do tempo de campanha e da propaganda de rádio e TV beneficiou os candidatos conhecidos do eleitorado e cria dificuldades para os novos se apresentarem. “A campanha mais curta beneficiou os candidatos com recall. Crivella é o que disputou eleições há menos tempo, em 2014.”
Para reagir a ataques, o senador criou a seção “verdades e mentiras” no site da campanha. À pergunta “Edir Macedo vai controlar a cidade?”, Crivella responde que “nunca sofreu nenhum tipo de influência de grupos ou líderes religiosos e nunca legislou em torno de uma causa que não fosse de interesse nacional”. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.
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