Dia de festa para alunos da região aprovados no vestibular da Fuvest

Após anúncio, ‘ficha’ começa a cair; estudantes ressaltam disciplina

Escrito por: João Pedro Teles4 min de leitura
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Estudante  Gustavo Gomes (esq.) comemora aprovação

Reprodução/Arquivo Pessoal

Um dia após a divulgação da lista de aprovados da Fuvest, publicada nesta terça-feira (2), a ficha começa a cair para os alunos da região que passaram em um dos mais concorridos vestibulares do país. Teve quem chorou, teve quem dançou com o cachorro, mas cada um comemorou a seu modo o ingresso na USP (Universidade de São Paulo).

Após um ano inteiro de esforços, expectativas e privações, o estudante Gustavo Gomes, do NP Vestibulares, foi aprovado para o curso de Engenharia Agronômica, com campus em Sorocaba. Gomes recebeu a notícia enquanto estava sozinho em casa e, sendo assim, o cachorro acabou sendo o primeiro companheiro de comemoração.

“Ah, comecei a pular sozinho com o cachorro quando vi meu nome na lista. A sensação é inexplicável.  Depois foi a vez de comemorar com os familiares e amigos que ajudaram nesta jornada. É a realização de um sonho, só agora que eu começo a me acostumar com a ideia, ontem (terça-feira) foi só emoção”, explica.

É unanimidade entre os professores que o vestibular 2016 da Fuvest foi uma das provas mais exigentes da instituição nos últimos anos. Questões de intrincada interpretação de texto exigiram dos candidatos atenção máxima numa verdadeira maratona, principalmente durante a primeira fase.

Para encarar e vencer a prova, o segredo de Gomes foi o foco, principalmente no que diz respeito à escolha da profissão. Tão importante para o aluno quanto a rotina de estudos, foi a certeza absoluta de qual carreira seguir.

“Para mim isso mudou tudo. Perdi um pouco mais de tempo escolhendo bem a área, mas depois que escolhi, pude focar exatamente no que eu precisava para passar. Essa certeza de saber para onde está indo faz o estudo ter sentido e aumenta a nossa dedicação. Então, minha dica para quem está prestando vestibular ou não conseguiu passar este ano é essa: coloque na sua cabeça o que quer e não meça esforços para conseguir”, explica o futuro universitário.

Perseverança
Já no caso do taubateano Matheus Reis, do cursinho Poliedro, o segredo para ser aprovado no curso de Medicina foi a disciplina. A rotina de 13 horas de estudo diário foi mantida religiosamente durante o ano. Todos os dias a mesma coisa: acordar às 5h30, ir para a academia às 6h. Voltar às 8h, tomar café e estudar até às 13h. Almoçar. Chegar no cursinho às 13h40 para frequentar as aulas até às 21h20.

“Como não tinha condições de pagar, fui até a diretoria e me coloque à disposição para fazer qualquer coisa por uma bolsa. Consegui desconto de 100% como monitor da sala. Então minha função era auxiliar os professores arrumando as carteiras, fechando a sala de aula, monitorando a lista de presença, indo buscar os materiais, essas coisas. Então, a aula acabava às 21h20, mas eu costumava ficar até às 22h no cursinho para cumprir essas tarefas”, afirma.

Morando em São José, na casa de um amigo, Reis afirma que a realização do sonho deve-se muito à união entre os colegas de classe, que, utilizando uma expressão do futebol, fecharam o grupo em busca do mesmo objetivo.

“Tanto é que eu fiquei sabendo da aprovação quando uma amiga minha me ligou. O pessoal, depois de ver que passou, ia logo procurando o nome dos amigos para ver quem também estava na lista. No fim, comemoramos com um churrasco com todo mundo junto. Como morei fora, eles foram como uma família para mim”, comemora.

Bola pra frente
Se a semana vai ser pequena para as comemorações de quem passou na Fuvest, há também o outro lado, daqueles que, depois de um ano de esforços, terão que voltar para a sala de aula e se preparar para o vestibular 2017. Há mais de dez anos que lidar também com a frustração dos estudantes faz parte da rotina do professor de matemática e coordenador do NP Vestibulares, Henrique Villaris.

Nessas horas, a dica do educador é que o aluno olhe para si para avaliar seu próprio desempenho, quais foram seus pontos fortes e o que precisa ser melhorado para o próximo ano.

“O mais difícil é para quem realmente se esforçou durante o ano inteiro e não conseguiu resultado. Nessas horas, o ideal é mesmo fazer uma análise da rotina de estudos e reunir as forças para o próximo ano. É claro, a gente sempre lembra os alunos que há outros vestibulares que ainda não divulgaram resultados e que existem chances em outras instituições”, afirma. “Não é hora de desespero e nem de sair procurando uma outra universidade mais fraca. Mesmo sem passar neste ano, o trabalho não foi em vão e vai servir como experiência para um próximo vestibular”, conclui.

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