Dólar em alta exige cautela nas compras e viagens de fim de ano
Especialista orienta ter planejamento com gastos para diminuir impacto no bolso


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Reprodução/Agência Brasil
A 28 dias do Natal e próximo da Black Friday as pessoas que ainda não fizeram as compras ou ainda não se planejaram para viagens de fim de ano precisam ficar atentas. Influenciado por fatores internos e externos, o dólar abriu o dia em alta mais uma vez e chegava a ser cotado a R$ 4,263 na tarde desta quarta-feira (27). Cautela e planejamento são as principais dicas de especialista do mercado financeiro.
A taxa Selic historicamente em queda, ‘turbulências’ na política brasileira e conflitos externos são alguns dos fatores que deixam o país menos atrativo para investidores estrangeiros e, sem a aplicação de dólar no país, a tendência é de que a moeda americana fique cada vez mais cara.
A desvalorização do real, entretanto, não é exclusividade do Brasil, praticamente todos os países emergentes estão perdendo valor em suas moedas, de acordo com Evandro Zanutto, assessor de investimentos da Plátano Investimentos-XP Investimentos, de São José dos Campos. “Para o dólar cair precisa entrar investimentos em dólar no país, mas o fluxo de dinheiro estrangeiro para cá não aconteceu. Com a reforma da previdência, a expectativa era de que os investidores voltassem a investir no Brasil, o que não aconteceu. Tudo indica que eles estão cautelosos com países emergentes. Para que a situação mude vamos precisar de mais reformas para criarmos um ambiente estável”, avalia.
Enquanto o país não é visto com bons olhos por investidores as pessoas, sobretudo os consumidores, precisam se atentar aos gastos com a moeda americana. Segundo o economista Dorivaldo Francisco Silva, o dólar em alta exige cautela nas compras e viagens não programadas. “Eu diria que uma viagem precisa ser planejada e se não houver esse planejamento a pessoa vai ficar restrita a gastos deixando até de consumir. Esse é um momento de cautela, principalmente quando passamos por momentos assim, de turbulência. Se for viajar é importante procurar por uma agência que não explore tanto e se fizer compras pela internet precisa estar ciente que pagará a mais”, alertou.
Para que o cenário mude, segundo o assessor de investimentos Evandro Zanutto, é preciso que outras reformas sejam aprovadas, que o Brasil se torne mais atrativo a investimentos e haja novamente entrada de dólares no país. “Para interromper a alta é preciso mudança, que medidas sejam desenvolvidas. Há alguns anos o Banco Central tentava segurar a cotação do dólar e isso se mostrou ineficaz. Hoje, o que vemos, é uma tentativa de atenuar os movimentos bruscos, mas não impedir a alta do dólar”, considerou.
Atualmente, as empresas que estão sujeitas ao risco cambial podem recorrer à medidas de proteção, o que é chamado de Hedge Cambial. De acordo com Zanutto, dessa forma o empresário não é impactado com as oscilações do dólar.
Há seis anos, o publicitário de 30 anos Henrique Wu começou a comprar colecionáveis de fora do país. Atualmente, ele importa os bonequinhos e explica que até mesmo se for taxado a prática é favorável, uma vez que os vendedores brasileiros colocam uma margem de lucro muito alta em cima dos produtos. Mas, para ele, a alta do dólar atrapalha. “Com a alta do dólar os cálculos já começam a assustar, pois o dólar aumentar acarreta na elevação das taxas que envolvem as transações internacionais e, isso tudo somado a uma eventual taxação do produto, que nem é para fins comerciais, desanimam. Não penso em comprar nada agora neste fim de ano, mas sexta-feira é a Black Friday, pode ser que me convençam do contrário”, relatou.
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