Dutra: trechos na RMVale estão entre os mais congestionados do Sudeste

Estudo aponta para uma necessidade de investimentos até 2020

Escrito por: Rodrigo Ribeiro5 min de leitura
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20150417_acidente via Dutra_Marcus Alvarenga

Dutra: trechos na RMVale estão entre os mais congestionados do Sudeste

Foto: Marcus Alvarenga

Três trechos da Dutra na RMVale (Região Metropolitana do Vale do Paraíba e Litoral Norte) estão entre os oito mais congestionados em rodovias do Sudeste. Os dados foram apresentados nesta segunda-feira (26) e são do Projeto Sudeste Competitivo, elaborado pela CNI (Confederação Nacional da Indústria), em parceria com as federações da indústria dos estados.

Entre os trechos da RMVale apontados pela pesquisa, o que mais preocupa é de Arujá (SP) a Jacareí, que está na segunda posição do ranking. Em horário de pico, o trânsito no trecho é 241% superior à capacidade.

Os outros trechos da região citados no levantamento são de Jacareí a São José dos Campos, na sexta posição, e de São José até Lorena (8º). Segundo o projeto, a logística do Sudeste necessita de R$ 63,2 bilhões em investimentos até 2020 para garantir escoamento eficiente da produção.

Esse valor seria o necessário para executar 86 projetos prioritários para modernizar e integrar o sistema logístico de Espírito Santo, Minas Gerais, Rio de Janeiro e São Paulo.

Ainda segundo o levantamento, uma vez concluídas, as obras propiciarão uma economia anual de até R$ 8,9 bilhões com o transporte de cargas para o setor produtivo, com base na movimentação projetada para o fim da década.

O morador de São José dos Campos, Cristiano Santos, viaja diariamente pela Dutra para chegar a Aparecida, onde trabalha. “O trajeto na parte da manhã é geralmente tranquilo e utilizo no período entre 7h30 e 9h. Acidentes ou carros quebrados são relativamente comuns, até causam lentidão, mas raramente comprometem a viagem. Geralmente a lentidão não dura mais que 10 minutos e é causada pela curiosidade dos motoristas”, conta.

“A volta para casa já é bem diferente. Costumo utilizar entre 17h até 20h, período que a rodovia fica mais movimentada. Quando saio às 17h45 de Aparecida, costumo chegar às 19h20, mas sempre há trechos de lentidão na entrada de Taubaté e entre Caçapava e São José, que é o trecho com mais trânsito e onde é normal ficar entre 15 minutos até 30 minutos a mais diariamente”, comenta Cristiano que precisa ter ainda mais paciência em dias de chuva.

“Quando chove, fica muito pior. Aí o jeito é ter paciência e redobrar a atenção, todos querem chegar em suas casas o mais rápido possível e as chances de acidentes ficam muito maiores”, completa.

O estudante Kleber Miguel, também utiliza a rodovia diariamente, porém, seu trajeto é entre Santa Branca, onde mora, e São José. “Pego a Dutra na ida por volta das 17h30 na altura da Unip (Universidade Paulista) até a entrada do Jardim das Indústrias e na volta, por volta das 22h30, do anel viário até a saída para Jacareí”, conta.

“O trânsito é muito relativo, tem dias que flui bem e dias que ta tudo parado. Geralmente na ida o trânsito é mais lento pelo fluxo de carros indo pra São José. Na volta é mais tranquilo, o trânsito flui melhor, acho que em função do horário”, diz Kleber.

Projetos
Segundo o estudo, apenas 16 das 86 obras prioritárias estão em fase de andamento. Outras 70 estão em fase de projeto, planejamento ou apenas nos planos do poder público, sem que tenham entrado na etapa inicial de elaboração do projeto básico.

“Esses projetos precisam, na visão da CNI, ser acelerados sob pena de agravar o quadro de saturação já enfrentado pelas empresas para escoar sua produção. Em São Paulo, por exemplo, a BR-116 (Via Dutra) opera com quase duas vezes sua capacidade em múltiplos trechos da rodovia”, diz um trecho de uma nota da CNI.

Além dos três trechos da Dutra que estão na RMVale, outros cinco também da BR-116, estão entre os 14 mais congestionados.Em nota, a CCR NovaDutra, que administra a via, informou que em 19 anos à frente da administração da via, já investiu mais de R$ 11 bilhões na modernização da rodovia.

“A Concessionária ressalta que o Vale do Paraíba é uma importante região margeada pela Via Dutra e que está em tratativa com as prefeituras da região sobre novos projetos. A Concessionária pretende continuar investindo na rodovia, de forma a beneficiar os usuários com mais segurança e conforto”, informou. O prazo da concessão é de 25 anos e termina em 1º de março de 2021.

Principais gargalos rodoviários da RMVale
Trecho Arujá – Jacareí

Capacidade média do trecho (em mil toneladas) 52.099
Carga movimentada no trecho (em mil toneladas) 70.750
Utilização no período de pico 241%

Trecho Jacareí – São José dos Campos
Capacidade média do trecho (em mil toneladas) 52.099
Carga movimentada no trecho (em mil toneladas) 51.247
Utilização no período de pico 174%

Trecho São José dos Campos – Lorena
Capacidade média do trecho (em mil toneladas) 34.733
Carga movimentada no trecho (em mil toneladas) 28.485
Utilização no período de pico 145%

De acordo com o estudo, sem nenhuma obra for realizada e considerando a mesma capacidade média, em 2020, a carga movimentada nos trechos podem aumentar para 93.099 (Arujá a Jacareí), 64.183 (Jacareí a São José) e 37.711 (São José a Lorena).

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