Endividamento das famílias brasileiras bate recorde e chega a 50,1% da renda
Dados do Banco Central mostram alta das dívidas em agosto, enquanto a inadimplência bancária recuou ligeiramente em setembro

O endividamento das famílias brasileiras atingiu 50,11% da renda acumulada em 12 meses em agosto, o maior percentual da série histórica, segundo dados divulgados pelo Banco Central (BC) nesta quinta-feira (29). O indicador subiu 0,2 ponto percentual em relação a julho e avançou 1,2 ponto percentual em 12 meses.
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O comprometimento da renda das famílias com o pagamento de dívidas também chegou a um recorde, alcançando 29% em agosto. O índice considera a parcela da renda destinada ao pagamento de juros e principal das dívidas, de acordo com as estatísticas de crédito da autoridade monetária.
Os números indicam pressão crescente sobre o orçamento doméstico, em um cenário de crédito caro e despesas financeiras elevadas.
Inadimplência recua em setembro
Apesar do aumento do endividamento, a inadimplência da carteira de crédito total do Sistema Financeiro Nacional apresentou uma leve queda em setembro. O índice passou de 5,05% em agosto para 4,98% no mês seguinte.
Entre as pessoas físicas, a taxa de inadimplência caiu de 6,04% para 5,99%. Já nas operações com empresas, o indicador recuou de forma mais discreta, de 3,4% para 3,3%.
A redução mensal da inadimplência não altera o recorde registrado no endividamento das famílias em agosto. Os indicadores medem situações diferentes: ter dívidas não significa necessariamente estar com pagamentos atrasados, enquanto a inadimplência se refere a compromissos financeiros não pagos dentro do prazo.
O que os números indicam
O endividamento representa a relação entre o saldo das dívidas das famílias com o sistema financeiro e a renda acumulada em 12 meses. Já o comprometimento de renda mostra quanto do orçamento é destinado ao serviço dessas dívidas.
Quando uma parcela maior da renda fica comprometida com empréstimos, financiamentos e juros, sobra menos dinheiro para outras despesas, como alimentação, moradia, transporte e consumo.
Os dados foram divulgados pelo Banco Central no relatório de Estatísticas Monetárias e de Crédito.
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