Economistas da RMVale preveem ações ‘impopulares’ num pós-Dilma
‘São necessárias para consertar um erro e criar condições’; diz um deles


Dilma Rousseff pode sofrer impeachment nesta quarta-feira (11)
Divulgação
Os economistas Roque Mendes e Luiz Carlos Laureano, da Univap (Universidade do Vale do Paraíba) e Unitau (Universidade de Taubaté), respectivamente, acreditam que “medidas impopulares” podem ser tomadas após um possível afastamento da presidente Dilma Rousseff (PT). Ainda assim, ambos afirmam não haver condições da petista continuar no poder.
“Não tem jeito dela ficar, não terá condições de governar”, afirma Laureano. “Pensando numa saída, piorar [o cenário econômico atual] é difícil, mas acho que o ‘remédio’ vai ser amargo, virá mais arrocho para a classe média, obviamente, que é a que mais sofre”, completa.
Em entrevista ao Meon no início deste ano, Mendes e Laureano fizeram uma análise da economia nacional e não previam uma melhora em menos de dois anos. Questionados se a previsão permanece, os economistas afirmam que um novo comando no Governo Federal pode gerar expectativas nos empresários.
“O rombo é muito grande para o país começar a crescer a curto prazo. Agora, isso [novo comando] pode gerar uma expectativa nos empresários, que são uma peça importante na economia, apesar de só pensarem em ganhar [lucrar] e atuarem quando há garantias”, comenta Laureano.
“De janeiro pra cá a situação piorou, porque nesse período surgiram interesses políticos. A própria Dilma tomou decisões para não perder o eleitorado e outras que podem atrapalhar o futuro governo, como por exemplo, aumento de repasse no Bolsa Família e mudanças na tabela do imposto de renda e no IOF. Isso irá afetar nossos compromissos financeiros. Quer deixar um problema para quem vai assumir, provavelmente não faria isso se continuasse no poder”, comenta Mendes.
Para o economista da Univap, um futuro governo do atual vice-presidente Michel Temer (PMDB) será beneficiado pela experiência do peemedebista. “Ele já conhece a máquina e está preocupado em se equipar com ministros que tem nome de ‘peso’, conhecimento e que provavelmente, serão melhores que os atuais”, afirma Mendes.
“Essa é uma situação que deve acontecer, mas que exigirá muito trabalho. A situação econômica está pior em relação à minha expectativa de janeiro. O Temer terá os próximos dois anos pra acertar as coisas e acredito que possam ter decisões não muito ‘simpáticas’, como correção de impostos. Mas temos que olhar que podem acontecer para consertar um erro e criar condições de empregos, por exemplo. Tenho esperança que essa mudança no governo seja boa”.
O economista da Unitau insiste que o enxugamento da máquina pública deve ser a primeira decisão de um possível novo governo. “Estamos com um déficit grande, então, primeiro o que tem que fazer é enxugar a máquina e até cortar investimentos. Vejo até a possibilidade de um retorno da CPMF, com a Dilma ficou difícil [de ser votada], mas agora, com ele, não sei”, diz Laureano. ” Ainda assim, só vejo uma melhora realmente da economia a longo prazo”, completa.
Processo de impeachment
Nesta sexta-feira (6), a Comissão do Impeachment do Senado aprovou por 15 votos a favor e 5 contra, o relatório que dá continuidade ao processo de afastamento de Dilma Rousseff.
O documento deve ser votado no plenário do Senado na próxima quarta-feira (11) e se for aprovado por maioria simples – metade mais um – dos senadores presentes na sessão, afasta a petista da presidência por até 180 dias para ser julgada pelo Senado e coloca automaticamente o vice-presidente Michel Temer no comando do Palácio do Planalto. Se o relatório for rejeitado na sessão, o processo é arquivado.
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