Educador aposta em escolas mais participativas após ocupações
Para mestre em educação, próximo passo é cobrar qualidade de ensino


E agora? Estudantes e familiares deixam a escola Moabe Cury, em São José
Adriano Pereira/Meon
Com a revogação do decreto da reorganização escolar feita pelo governador Geraldo Alckmin e a desocupação das escolas Miguel Naked e Moabe Cury, em de São José, e João Bastos Soares, de Cachoeira Paulista, o desafio agora é entender quais serão os ecos deste movimento para a educação na região e no Estado de São Paulo.
O projeto da gestão tucana previa a divisão das turmas considerando uma separação de ciclos para que os prédios abrigassem estudantes na mesma faixa etária. Entretanto, a reorganização levaria ao fechamento de 93 escolas no Estado, sendo que neste pacote 25 escolas da região seriam afetadas.
Depois que estudantes venceram uma queda de braço que culminou na renúncia do secretário estadual de Educação, Herman Voorwald, o mestre em educação e professor de filosofia da Unitau (Universidade de Taubaté), César Augusto Eugênio, acredita que o episódio foi apenas um capítulo em busca de uma educação pública de qualidade. De acordo com o educador, ao salvar as escolas, o próximo passo é cobrar um modelo mais adequado de educação.
“Sou um otimista por natureza e defensor do poder transformador da educação. Por isso receio que este movimento pare por aí e tudo volte a ser como antes. Apesar de ter sido importante para essa conquista, o fator passional agora vai precisar ser deixado um pouco de lado para que se pense em que escola queremos estudar”, explica.
Proposta
Apesar de uma nova proposta curricular não figurar na pauta do manifesto (cujo objetivo é o de manter as escolas funcionando), na prática o que se viu foi uma vivência educacional colaborativa no período de ocupação. Em São José dos Campos, professores voluntários ofereceram aulas de ioga, de interpretação de texto, além de oficinas de música, aquarela entre outras.
Assim como aconteceu na capital, onde artistas como Céu, Criolo, Paulo Miklos e Pitty participaram de shows em escolas ocupadas, em São José os músicos também marcaram presença. A escola Miguel Naked, por exemplo, teve shows com Salve as Kamadas Líricas e Dö MC.
O educador da Unitau acredita que a apropriação da escola por parte dos alunos e familiares é a chave para que o jogo da educação pública comece a virar. De acordo com Eugênio, a relação afetiva que fez com que os alunos montassem mutirões de pintura e conserto de pequenos problemas estruturais do prédio é uma aposta que dá certo.
“Valorizo muito essa relação afetiva. Defendo o fundamento da gestão democrática, que traz a comunidade para o cotidiano da escola. Pais, irmãos mais velhos, todos devem se apropriar da instituição para que exista essa identidade afetiva. Para mim este foi o maior ponto positivo do episódio: a sensação de perda fez com que as pessoas tomassem posse da escola”, explica.















Mesmo assim, o educador alerta para a importância de que esta participação seja realizada de maneira organizada, para que o ímpeto de ajudar não acabe atrapalhando os estudos dos alunos.
“Essa participação deve ser devidamente organizada e estimulada. Com direcionamento e com cada um sabendo qual o seu papel ali dentro, as escolas podem colher bons frutos desta participação mais ativa da comunidade”, conclui.
Ocupadas
Mesmo com as escolas de São José e Cachoeira Paulista já liberadas, no Litoral, as escolas estaduais Colônia Pescadores, em Caraguatatuba, e Aurelina Ferreira, em Ubatuba, ainda estão ocupadas pelos alunos.
Na sexta-feira (4), a assembleia realizada pelos representantes de 40 escolas ocupadas no Estado, que aconteceu na E.E Caetano de Campos, decidiu pela continuação das ocupações até que o projeto que prevê a reorganização seja cancelado.
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