El Niño pode atingir intensidade muito forte e aumentar risco de eventos extremos no Brasil

Boletim de órgãos federais aponta possibilidade de mais chuvas no Sul, estiagem no Norte e Nordeste e calor acima da média no Sudeste

Escrito por: Rubens Baracho4 min de leitura
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O El Niño deve ganhar força ao longo do segundo semestre de 2026 e poderá atingir intensidade muito forte entre a primavera e o início do verão. A previsão aumenta a atenção para a ocorrência de eventos climáticos extremos em diferentes regiões do Brasil, como enchentes, estiagens, ondas de calor e queimadas.

O alerta consta no monitoramento do Painel El Niño 2026-2027, elaborado por órgãos federais que acompanham a evolução do fenômeno e seus possíveis impactos no país. As projeções oficiais apontam que o fenômeno deve permanecer ativo pelo menos até o início de 2027 e há possibilidade de que as temperaturas das águas do Pacífico Equatorial ultrapassem 2°C acima da média, condição associada à categoria de El Niño muito forte.

O fenômeno ocorre no Oceano Pacífico, mas provoca alterações na circulação atmosférica e no transporte de umidade, influenciando o comportamento das chuvas e das temperaturas em várias partes do planeta. Os especialistas, porém, ressaltam que o El Niño não determina sozinho as condições meteorológicas, já que outros sistemas podem intensificar ou amenizar seus efeitos.

Sul deve ter mais chuva

A Região Sul é uma das áreas que historicamente mais sente os efeitos do El Niño. Para os próximos meses, a tendência é de chuvas acima da média em grande parte da região, acompanhadas de maior possibilidade de temporais, alagamentos, cheias de rios e deslizamentos.

O cenário exige atenção porque áreas que já apresentam maior disponibilidade de água no solo podem responder de maneira mais rápida a novos episódios de chuva intensa, elevando o risco de transbordamentos.

Na agricultura, a maior umidade pode favorecer algumas culturas de inverno. Por outro lado, o excesso de chuva pode aumentar a ocorrência de doenças nas plantações e dificultar operações no campo.

Norte e Nordeste podem enfrentar estiagem

No Norte, especialmente na Amazônia, a previsão aponta para um cenário diferente. A tendência é de chuvas abaixo da média, temperaturas mais elevadas e possível atraso no estabelecimento da estação chuvosa em algumas áreas.

A combinação pode favorecer períodos prolongados de estiagem, reduzir a disponibilidade de água e deixar a vegetação mais seca, aumentando o risco de incêndios florestais. A redução dos níveis dos rios também pode afetar a navegação, o abastecimento e atividades econômicas que dependem dos cursos d’água.

No Nordeste, principalmente na porção norte da região, também existe previsão de redução das chuvas e temperaturas acima da média. O cenário pode pressionar ainda mais rios e reservatórios, especialmente em áreas que ainda não recuperaram totalmente suas reservas hídricas.

Centro-Oeste terá atenção para calor e queimadas

No Centro-Oeste, um dos efeitos esperados é o atraso no início da estação chuvosa, prolongando o período seco.

Com temperaturas elevadas e menor umidade do ar, aumenta o risco de ondas de calor e de queimadas, especialmente em áreas de vegetação natural e regiões de produção agropecuária.

Ao mesmo tempo, o tempo mais seco pode favorecer a colheita de culturas como milho e algodão de segunda safra.

Sudeste pode ter calor acima da média

No Sudeste, a principal preocupação está relacionada às temperaturas elevadas e à possibilidade de ondas de calor mais persistentes.

A irregularidade das chuvas, especialmente no começo da estação chuvosa, também merece atenção. Caso a chegada das precipitações da primavera seja atrasada, o aumento da evaporação provocado pelo calor pode reduzir a umidade do solo e agravar condições de seca.

Para a região, o cenário também pode aumentar a demanda por água e energia elétrica durante os períodos de temperaturas mais altas.

Órgãos recomendam atenção aos alertas

Diante da possibilidade de um El Niño de forte intensidade, os órgãos responsáveis pelo monitoramento climático e de desastres reforçam a necessidade de acompanhar as previsões meteorológicas, hidrológicas e geológicas.

A população deve ficar atenta aos alertas oficiais e às orientações das autoridades de proteção e Defesa Civil, principalmente durante episódios de chuvas intensas, temporais, calor extremo ou estiagem.

O cenário ainda pode sofrer alterações conforme o fenômeno evolui. Por isso, as instituições responsáveis pelo Painel El Niño continuarão atualizando as previsões e os possíveis impactos ao longo dos próximos meses.

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