Direita avança nas eleições de 2026, e Lula tem pior votação em 1º turno desde 1998

Flávio Bolsonaro terminou o primeiro turno à frente de Lula em votos; PL e Novo terão 31 cadeiras no Senado a partir de 2027

Escrito por: Rubens Baracho4 min de leitura
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A direita saiu fortalecida das urnas nas eleições de 2026, com avanço no Senado, aumento do número de governadores ligados ao campo político e uma votação expressiva de Flávio Bolsonaro (PL) na disputa pela Presidência da República.

No primeiro turno, realizado neste domingo (4), Flávio recebeu 56,1 milhões de votos, o equivalente a 47% dos votos válidos. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ficou com 53,9 milhões, ou 45,2% dos votos válidos. Os dois avançaram para o segundo turno.

O resultado representa a menor porcentagem de votos válidos obtida por Lula em um primeiro turno desde 1998. Naquele ano, o petista recebeu 31,7% dos votos válidos e foi derrotado por Fernando Henrique Cardoso (PSDB) ainda na primeira etapa da eleição.

Em 2022, quando disputou o primeiro turno contra Jair Bolsonaro (PL), Lula havia alcançado 48,4% dos votos válidos. Em 2006, na tentativa de reeleição, teve 48,6%. Já em 2002, quando foi eleito presidente pela primeira vez, registrou 46,4%.

Lula perde votos, enquanto Flávio amplia votação

Na comparação com a eleição de 2022, Lula perdeu aproximadamente 3,4 milhões de votos.

Flávio Bolsonaro, por outro lado, ampliou a votação em relação ao desempenho de Jair Bolsonaro no primeiro turno de 2022. O candidato do PL recebeu cerca de 5 milhões de votos a mais que o pai havia obtido naquela eleição, passando de 51,1 milhões para 56,1 milhões.

O resultado também veio acompanhado de uma mudança significativa na composição política do Senado Federal.

PL e Novo terão quase 40% do Senado

O PL foi o partido que mais ampliou sua presença no Senado nas eleições deste ano. A legenda elegeu 19 senadores e, somados aos nove parlamentares que já tinham mandato conquistado em 2022, deverá chegar a 28 cadeiras a partir de 2027.

O Novo terá três senadores. Com isso, PL e Novo deverão somar 31 das 81 cadeiras do Senado, o equivalente a aproximadamente 38% da Casa.

Além dos parlamentares eleitos pelo PL e pelo Novo, outros senadores alinhados ao bolsonarismo também estarão no Congresso a partir de 2027, entre eles Damares Alves (Republicanos-DF) e Guilherme Derrite (PP-SP), eleito senador por São Paulo.

O PT manteve as dez cadeiras que já possui no Senado e não elegeu novos parlamentares para a Casa.

Entre os partidos de esquerda, o PSB foi de sete para três senadores. O PDT caiu de duas para uma cadeira, enquanto a Rede passou a ter um representante.

O centrão também perdeu espaço. O PSD foi uma das legendas mais afetadas e deverá terminar a eleição com nove cadeiras a menos no Senado.

Direita também amplia presença nos governos estaduais

O avanço da direita também apareceu nas eleições para os governos estaduais.

O PL, que atualmente governa apenas Santa Catarina, deverá comandar pelo menos cinco estados a partir de 2027. Além de Jorginho Mello, reeleito em Santa Catarina, a legenda elegeu governadores no Paraná, Rondônia, Roraima e Rio Grande do Sul.

Os eleitos são Sergio Moro, no Paraná; Marcos Rogério, em Rondônia; Arthur Henrique, em Roraima; e Zucco, no Rio Grande do Sul.

O partido ainda disputa o segundo turno em dois estados. No Rio de Janeiro, Douglas Ruas terminou o primeiro turno com 49,3% dos votos válidos e ficou à frente de Eduardo Paes (PSD), apoiado pelo presidente Lula.

No Amazonas, a Professora Maria do Carmo também avançou para o segundo turno.

No Rio de Janeiro, o PL também elegeu dois senadores: Carlos Portinho, que garantiu a reeleição, e Carlos Jordy.

Segundo turno será marcado por disputa entre Lula e Flávio

Com os resultados do primeiro turno, Lula e Flávio Bolsonaro voltam a se enfrentar nas urnas no segundo turno das eleições presidenciais.

A votação será realizada em 25 de outubro. O resultado do primeiro turno aponta para uma disputa nacional marcada pela força da direita no Congresso e nos governos estaduais, enquanto Lula busca ampliar sua votação e conquistar eleitores que optaram por outros candidatos na primeira etapa.

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