Em ‘Carlinhos e Carlão’, Luis Lobianco usa o humor falar sobre homofobia
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – Um homem machista e homofóbico que trabalha em uma concessionária e diz entender de tudo de mecânica e de futebol. Esse é Carlão (Luís Lobianco), que tem a sua vida transformada após adquirir um armário mágico que vai revelar sua outra faceta: o afeminado Carlinhos, seu alter-ego gay, simpático, talentoso e divertido…

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – Um homem machista e homofóbico que trabalha em uma concessionária e diz entender de tudo de mecânica e de futebol. Esse é Carlão (Luís Lobianco), que tem a sua vida transformada após adquirir um armário mágico que vai revelar sua outra faceta: o afeminado Carlinhos, seu alter-ego gay, simpático, talentoso e divertido que surge à noite. Essa é a trama central de “Carlinhos e Carlão”.
“Tive total oportunidade de opinar. É um privilégio, não é sempre que o artista pode fazer isso”, afirma Luis Lobianco, 38, em conversa com a imprensa da qual a Folha de S.Paulo participou. Com direção de Pedro Amorim, o filme foi gravado em 2017 e tem no elenco Luis Miranda, 50, Thati Lopes, 30, e Suzy Brasil, 41 -desde 12 de novembro longa está disponível no Amazon Prime Video.
O filme mescla o humor com drama e retrata a violência que pessoas LGBTQI+ sofrem. “É um filme muito estratégico para não conversar com a bolha. É uma preocupação que eu tenho com meu trabalho. Já apanhei muito por causa disso, mas sempre coloco esse cálculo na criação”, diz o ator, que é casado com o pianista Lúcio Zandonadi, 43.
Luis Miranda interpreta Evaristo, que é agredido verbalmente pelas ofensas homofóbicas de Carlão, e é ele que decide prendê-lo no armário mágico. Na avaliação do ator, “Carlão e Carlinhos” é “um ato político” e não seria possível gravá-lo nos tempos atuais.
“Estamos convidando o público para esse lugar de discussão. Vivemos em um processo de desgoverno. O cinema nacional está desamparado, eles querem que o cinema não exista no Brasil. Graças a Deus temos várias empresas de streaming como a Amazon, que estão empanhadas em investir. É um ato de resistência”, diz o ator, que está em cartaz com a peça online gratuita “Madame Sheila” -socialite que passa a quarentena cercada por empregados em sua própria mansão, em Paris- até final de novembro.
A drag queen Suzy Brasil dá vida a Guga, que também é alvo de comentários homofóbicos de Carlão, mas se torna grade amiga de Carlinhos. Ela afirma que a temática se tornou ainda mais relevante diante do atual cenário brasileiro. “Se o filme era importante há três anos, hoje é 15 vezes mais. Passamos por um grande retrocesso.” “Ele [filme] só se potencializou durante esses anos”, acrescenta Lobianco.
Com a missão de “abrir o coração das pessoas com o humor”, como Lobianco gosta de dizer, a trama disponível na Amazon tem a “missão de emocionar o público”. O ator afirma que não conteve a emoção quando assistiu ao resultado final pela primeira vez. “Morro de vergonha, porque eu choro vendo o meu próprio filme [risos]”.
“Carlinhos e Carlão” é um filme de humor que busca trazer o tema da representatividade LGBTQI+ para o centro da conversa, de forma questionadora e consciente. “É recente esse debate. A comunidade LGBTQI+ só conseguiu se reconhecer como comunidade há 50 anos. De lá para cá a gente já conquistou direitos civis, lei que enquadra homofobia, mas ainda é muito pouco. Mesmo com essas garantias, a nossa comunidade não é respeitada, por isso é urgente falar.”
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