Em greve, Chery está há 29 dias sem produzir carros em Jacareí
Trabalhadores da montadora iniciaram paralisação em 6 de abril


Em greve, Chery está há 29 dias sem produzir carros em Jacareí
Flavio Pereira/Meon
Devido à greve, iniciada em 6 de abril, pelos trabalhadores, a Chery de Jacareí está há exatos 29 dias sem produzir veículos. Com investimento de R$ 1,2 bilhão, a montadora inaugurou em agosto do ano passado seu complexo industrial na cidade – o primeiro da fabricante chinesa no Brasil.
A montadora também havia iniciado a produção do Celer nas versões hatch e sedã – o primeiro carro da marca a ser produzido em Jacareí – em 6 de fevereiro deste ano, com distribuição do veículo às concessionárias prevista a partir de abril.
Na última quinta-feira (30), terminou sem acordo a segunda audiência de conciliação entre a Chery e o Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos, no TRT (Tribunal Regional do Trabalho) 15ª Região, em Campinas.
De acordo com o sindicato, a empresa continua se recusando a assinar a Convenção Coletiva do setor automotivo, o que inviabilizou o acordo. “Sem avanço nas negociações, os trabalhadores devem permanecer em greve por tempo indeterminado”, diz a entidade em nota.
O sindicato informou ainda que irá lançar uma campanha nacional de solidariedade e formar um fundo de greve destinado aos metalúrgicos da Chery. O Sindicato já entrou com pedido de liminar, no TRT, para garantir o pagamento de salários aos trabalhadores em greve.
“Na audiência, os únicos avanços foram em relação ao piso salarial e à estabilidade no emprego de três meses para todos os trabalhadores . A montadora aceitou a proposta do TRT, de R$ 1.850, mas rejeitou outras 31 cláusulas da pauta apresentada pelo Sindicato. O piso já havia sido aprovado em assembleia pelos trabalhadores, no último dia 27. O Sindicato também reivindica o pagamento dos dias parados”, diz outro trecho da nota.
De acordo com o sindicato, entre os pontos rejeitados pela empresa estão a estabilidade no emprego para lesionados e a proibição da terceirização das atividades-fim da empresa. Ainda segundo a entidade, no período da greve, a Chery deixou de produzir no mínimo 500 carros.
“A empresa quer manter seus funcionários às margens dos direitos já conquistados pela categoria metalúrgica. Isto é um desrespeito aos trabalhadores e à organização sindical. A greve vai continuar com toda força e agora queremos convocar toda a classe trabalhadora para se solidarizar com os companheiros da Chery”, afirma o presidente do Sindicato, Antônio Ferreira de Barros, o Macapá.
Em nota, a Chery informou que “ofereceu um reajuste de 54,3% no salário-base, que passaria a ser de R$ 1.850, valor já aprovado pelos funcionários durante a assembleia realizada no último dia 27. Em contrapartida, a greve seria imediatamente interrompida, com compensação parcial dos dias paralisados no decorrer do ano. Os demais pontos reivindicados pelo Sindicato seguiriam em negociação”.
De acordo com a montadora, mesmo com a aprovação prévia dos trabalhadores em assembleia, o sindicato “manteve a postura intransigente e mostrou-se mais preocupado em enfatizar seu posicionamento contrário à terceirização, tema alvo de discussões no congresso e na mídia nacional. Diante disso, a Chery lamenta e fica no aguardo da decisão do TRT”, conclui a nota.
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