Em Paris, Serra volta a defender semipresidencialismo
Depois de passar por Cabo Verde, em sua primeira viagem internacional fora das Américas como novo ministro das Relações Exteriores, José Serra voltou a defender nessa segunda-feira, 30, em Paris, a adoção do semipresidencialismo no Brasil. O chanceler se recusou a comentar a instabilidade política em Brasília, mas fez elogios rasgados ao…

Depois de passar por Cabo Verde, em sua primeira viagem internacional fora das Américas como novo ministro das Relações Exteriores, José Serra voltou a defender nessa segunda-feira, 30, em Paris, a adoção do semipresidencialismo no Brasil.
O chanceler se recusou a comentar a instabilidade política em Brasília, mas fez elogios rasgados ao sistema político do país africano e ao de Portugal, nações que têm presidente e primeiro-ministro.
Serra esteve na sexta-feira e no sábado em Cabo Verde, primeira escala de sua viagem internacional que tem a França como segunda etapa.
Na capital, Praia, encontrou-se com o presidente, José Carlos Fonseca, e com o primeiro-ministro, Ulisses Correia e Silva, quando tratou de assuntos como a cooperação nas áreas de saúde, educação e militar e a realização do congresso dos países de língua portuguesa.
Ao comentar sobre a viagem, derivou de forma espontânea para o sistema político do país, que elogiou. “Eles tem um sistema semipresidencialista, que é precisamente o que eu acredito que seria o melhor para o Brasil. Tem o primeiro-ministro, que cuida do governo, e o presidente, que cuida dos assuntos do Estado”, descreveu.
Questionado se acharia adequada a adoção do modelo semipresidencialista como o da França no Brasil, Serra ponderou: “Como em Portugal, que talvez seria o mais parecido”. “É semi porque tem eleição direta para presidente. O presidente não é eleito pelo Congresso, como é na Itália ou na Alemanha”, afirmou.
Serra também rasgou elogios a Cabo Verde. “É um país que tem o segundo índice mais baixo de corrupção da África, é um dos três países de renda média na África. É quase um modelo do ponto de vista da região”, reiterou.
Embaixadas
Sobre a perspectiva de fechamento de embaixadas do Brasil na África e as especulações de que as representações em Serra Leoa e Libéria seriam as duas primeiras atingidas, o chanceler negou que haja qualquer decisão nesse sentido – e acusou a oposição do PT de inventar a informação.
“Isso não tem nada a ver. É uma onda sem pé, nem cabeça. Eu apenas mandei fazer uma análise da utilidade e dos custos de cada embaixada. É uma providência elementar”, justificou. “Como esse pessoal do PT não tem nada para falar a respeito do atual quadro, ficam caraminholando em torno dessas coisas”, afirmou.
Serra reiterou o interesse do Brasil em se aproximar da África. “Para nós, (a visita) foi um primeiro contato com a África, claro que em uma região bastante restrita, mas um começo de preparação para o encontro Brasil-África que faremos no ano que vem”, disse.
“A África subsaariana cresceu entre 2000 e 2010 ao ritmo equivalente ao dobro da América do Sul, e de 2010 a 2016 a um ritmo equivalente ao triplo. É um mercado crescente para nós e que nos interessa bastante,” concluiu.
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