Empreendimento sustentável dá ênfase ao bem-estar

“Eu não paguei um custo maior por metro quadrado, veio como benefício”, Ednalva Costa Flavio Pereira/Meon A diretora financeira Ednalva Costa mora com os dois filhos no Park One Ibirapuera, um empreendimento sustentável de alto padrão com certificação AQUA-HQE em São Paulo. O condomínio de 50 unidades distribuídas em 25 pavimentos é dotado de componentes economizadores […]

Escrito por: Lucas Lopes, especial para AE5 min de leitura
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“Eu não paguei um custo maior por metro quadrado, veio como benefício”, Ednalva Costa

Flavio Pereira/Meon

A diretora financeira Ednalva Costa mora com os dois filhos no Park One Ibirapuera, um empreendimento sustentável de alto padrão com certificação AQUA-HQE em São Paulo. O condomínio de 50 unidades distribuídas em 25 pavimentos é dotado de componentes economizadores e de um sistema de reúso de águas cinza (de pias e chuveiros) para os vasos sanitários, que prevê uma pequena estação de tratamento. Possui geração de energia para aquecimento de piscina por meio de placas solares e janelas mais amplas para aumentar a incidência de luz natural no apartamento, entre outros itens.

“O empreendimento atende aos 14 critérios da certificação AQUA, que vão desde a relação do edifício com seu entorno durante o processo construtivo, passando pela gestão eficiente da água e energia, até o conforto acústico dos moradores”, declara Juliana Monteiro, diretora de Incorporação da OR. “A sustentabilidade permeou todas as fases do empreendimento, a começar pela concepção do projeto arquitetônico, desenvolvido para maximizar a iluminação natural, além de adotar soluções que garantem a redução do consumo de recursos naturais e o mínimo impacto na vizinhança. Tais características permitem, além de uma redução dos custos operacionais e de manutenção do condomínio ao longo do tempo, melhores condições de saúde e bem-estar para seus moradores.”

Ednalva afirma que na busca por uma nova residência, o fato de o empreendimento ser sustentável não era, a princípio, uma preocupação. “Quando se está buscando um apartamento você olha primeiro as varandas, distribuição do metro quadrado, valor, acabamento. Mas quando entra no prédio e percebe os benefícios, começa a notar que está economizando e ao mesmo tempo ajudando a natureza”, conta.

“No prédio, utilizamos lâmpadas econômicas, aquecimento solar combinado com o aquecimento de gás. Também reutilizamos a água da chuva para limpar toda área comum e temos isolamento acústico com pneus reciclados e madeiras certificadas”, conta outra moradora do conjunto, Amélia Caetano.

Ela, que também é subsíndica do condomínio, ressalta a importância da individualização das contas de água por apartamento. “Apesar do custo inicial arcado por que cada morador, a tendência é as pessoas utilizarem a água com mais consciência.”

Ednalva, que já trabalhou em prédios sustentáveis, considera extremamente importante a reutilização da água e o tratamento do lixo. “O aquecimento solar também. Já teve dias em que tive água aquecida mesmo sem energia”, diz. Como a vizinha, Amélia também destaca o aquecimento. “Você acaba economizando. Em vez de pagar uma academia para usar a piscina aquecida, pode utilizar a do prédio durante o ano todo.”

A subsíndica afirma que o preço do imóvel não foi mais caro por ser considerado sustentável. “Eu não paguei um custo maior por metro quadrado, veio como benefício.”

Com relação à cota de condomínio, Amélia diz não ter como comparar o valor em relação a empreendimentos não sustentáveis. Mas afirma: “Há redução de 20% e 30% no consumo de água e energia no prédio”. O vice-presidente de Administração Imobiliária e Condomínios do Sindicato da Habitação (Secovi-SP), Hubert Gebara calcula que, em média, o consumo de água em um residencial represente entre 12% e 15% do valor da taxa e a energia, de 10% a 12%.

Ednalva, no entanto, afirma que pagava uma taxa de condomínio maior no prédio onde residia anteriormente. “A quantidade de apartamentos era basicamente a mesma. Porém, o prédio anterior tinha um gasto menor com segurança. Então, na hora de fazer a busca, eu levei esses fatores em conta e calculei que no Park One gasto aproximadamente R$ 200 a menos.”

Selos
No Brasil, os selos mais conhecidos para garantir que o empreendimento está adequado aos padrões de sustentabilidade são o AQUA, da Fundação Vanzolin, e o LEED (Leadership in Energy and Environmental Design), da organização Green Building Brasil. No Estado de São Paulo já foram certificados com o AQUA-HQE 156 empreendimentos sustentáveis, sendo 127 na capital. No caso do selo de qualidade LEED, são 192 empreendimentos certificados – mais da metade do País inteiro, 320 -, e 374 em processo de certificação.

A obtenção do AQUA-HQE exige planejamento e controle para obtenção dos desempenhos desde o início do programa para o empreendimento. Ele certifica a obra ao final de cada uma das suas fases essenciais, como pré-projeto, projeto e execução, e avalia conformidade por meio de auditorias presenciais independentes conferindo se estão cumprindo critérios de consumo de água, de energia no ambiente construído, entre outros.

Conforme a Fundação Vanzolini informa em seu site, “a ênfase é no conforto e saúde do usuário e do entorno, além do baixo impacto ambiental ao longo do ciclo de vida da edificação; requer análise econômica e ambiental global”.

Certificação é feita em três etapas e analisa 14 critérios
O processo de certificação em sustentabilidade AQUA-HQE da Fundação Vanzolini é feito em três etapas: pré-projeto, projeto e execução. São analisadas 14 critérios de preocupação ambiental, subdividos em ecoconstrução, ecogestão, conforto e saúde. A avaliação, então, da qualidade ambiental do edifício é feita para cada uma dessas categorias e são classificadas nos níveis Base, Boas Práticas ou Melhores Práticas, conforme o planejamento e estudos realizados pelo empreendedor ainda no pré-projeto.

Para receber a certificação AQUA-HQE, o empreendimento deve atingir no mínimo um perfil de desempenho com três categorias no nível Melhores Práticas, quatro categorias no nível Boas Práticas e sete categorias no nível Base.

Durante as três etapas de avaliação são realizadas auditorias presenciais independentes e análise de dossiês. Em todas as fases o edifício receberá uma certificação, elas irão garantir o selo AQUA-HQE depois da finalização das obras.

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