Empresários de São José buscam meios para driblar a crise da quarentena
Empresários e trabalhadores autônomos revelam o que estão fazendo para amenizar o impacto da crise


Empresários de São José dos Campos estão buscando alternativas para tentar ‘desviar’ da crise causada pela quarentena. Desde que a medida foi decretada por governos estaduais e municipais, os empresários e autônomos tem sentido na pela a dificuldade em gerar renda e manter o empreendimento em funcionamento. Economista consultado pelo Meon defende a retomada dos negócios.
Há aproximadamente dois anos vendendo roupas e acessórios de praia pela internet, a empresária Jéssica Cabral, 29, decidiu deixar de fazer suas vendas no Brasil e apostou no país vizinho Equador. Em janeiro deste ano, ela e sua sócia, Jade Murad, retornaram para São José dos Campos e inauguraram a primeira unidade física da “Puromar Brasil”, o que aconteceu no último dia 12 de março.
O que elas e milhares de trabalhadores autônomos não sabiam é que o coronavírus estava para chegar, e chegou. Para a inauguração da loja física, as empresárias apostaram tudo e investiram muito com a intenção de proporcionar ao cliente um espaço aconchegante e também agradar o mercado regional.
Com as portas fechadas desde o início da quarentena, a alternativa foi continuar apostando nas vendas online. “Hoje estamos trabalhando todos os dias com estratégias online, com frete grátis para todo o País e oferta de desconto na segunda peça. Todos os dias disponibilizamos uma peça com um ‘super’ desconto por 24 horas, além de fazermos publicações e divulgar o nosso trabalho. Mas está muito difícil”, lamenta Cabral.
Natural do Chile, Enriqueta Charlotte Rodríguez Contreras, 54, vive em São José dos Campos há mais de 10 anos. Desde que chegou ao município investiu na carreira de cabeleireira e permanece trabalhando na área até hoje. Assim como toda a população, Kitty (como é conhecida), não esperava por essa crise e conta que o dinheiro já está acabando. “Foi de repente, não estávamos preparados. Na mesma semana do início da quarentena, todos os meus clientes desmarcaram. Agora preciso pagar o aluguel do meu salão e a dona do imóvel já falou: ‘ou paga ou sai’. Se eu não trabalho não ganho e o dinheiro já está acabando”, revela.
Kitty falou ainda que tem proposto para seus clientes a possibilidade fazer atendimento domiciliar, mas “eles não aceitam, estão com medo”. Para a cabeleireira, a melhor solução seria “que as pessoas voltassem a trabalhar”.
Proprietário da L.L de Souza Corretora de Seguros, Laércio Luciano de Souza disse que, apesar de ter havido aumento de 40% na procura por planos de saúde, ele tem encontrado dificuldades para conseguir fechar a venda com alguns perfis de clientes. “No meu segmento, a procura por plano de saúde aumentou bastante. Grande parte do público do segmento autônomo tem mostrado interesse, mas está insegura porque não sabe o dia de amanhã. Apesar disso, as diversas outras classes de segmento estão fechando negócio”, disse.

Segundo Souza, ainda não foi preciso demitir ninguém e seus funcionários estão trabalhando home office. Mas, apesar disso, ele acredita que a “as pessoas precisam retomar os trabalhos o quanto antes”, pois só assim as coisas poderão melhorar.
‘Temos que gerar renda’
Para o economista Alexandre Wander, da FAAP (Fundação Armando Alvares Penteado), em São José dos Campos, a atividade econômica precisa voltar a acontecer, o que depende também de as pessoas voltarem a trabalhar.
“Não somos uma Europa, em que o governo possui renda para bancar a população em casa, sem fazer nada. É necessário voltar a trabalhar de algum modo, temos que gerar renda”, afirmou. “A crise financeira e ausência de renda para suprir as necessidades básicas do cidadão poderá ser pior do que a do vírus”, avaliou.
Segundo o economista, aos empresários e autônomos uma alternativa é aproveitar dos benefícios do governo quanto à prorrogação de impostos. Uma solução também, para ele, é renegociar as dívidas com fornecedores e entrar em contato com bancos em busca de taxas menores e postergar pagamentos.
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