Envelhecer com dignidade no Brasil: desafios para 2026 que persistem
A dependência da renda da maioria das pessoas idosas de aposentadorias e benefícios, normalmente são insuficientes para cobrir as despesas de uma vida digna

O processo de envelhecimento populacional brasileiro é muito acelerado. Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatistica (IBGE) revelaram que já somos mais de 32 milhões de pessoas idosas, conforme o censo demográfico de 2022, ou seja, 15,8% da população. Esse marco social, exige tratar o envelhecimento como tema central e urgente das políticas públicas e da organização social. Porém, viver mais nem sempre significa que estamos vivendo melhor.
A dependência da renda da maioria das pessoas idosas de aposentadorias e benefícios, normalmente são insuficientes para cobrir as despesas de uma vida digna. Os custos com moradia, alimentação e saúde quase sempre não são cobertos. Junte-se a esse contexto, as desigualdades de gênero e raça o cenário contribuem para tornar o envelhecimento mais vulnerabilizado para determinados grupos sociais.
Outra preocupação crescente é a violência contra a pessoa idosa. Os registros dos serviços de proteção e canais de denuncia (Disque100), revelam o crescimento dos casos de negligência, abuso financeiro, violência física e psicológica, na maioria das vezes dentro do ambiente familiar. Acrescente-se ao contexto a dificuldade de acesso a serviços de saúde especializado, longas filas para atendimento e forte limitação de oferta de cuidados de longa duração a atendimento domiciliar.
O Estatuto da Pessoa Idosa, que representa um marco no avanço de políticas públicas para a população idosa, ainda não se consolidou efetivamente. Persistem a falta de articulação e integralidade do cuidado, com serviços fragmentados. Para a garantia do envelhecimento digno é necessário a garantia de renda adequada, segurança, acesso a saúde integral, mobilidade urbana, inclusão digital e participação social.
O envelhecimento digno no Brasil é um processo de construção coletiva. Reconhecer a pessoa idosa como sujeito de direitos ainda é um desafio social. Valorizar a sua trajetória e construir uma sociedade que ofereça respeito e oportunidade em todas as fases da vida é uma meta que nosso país precisa perseguir.
Portanto, a efetividade das políticas públicas para o envelhecimento digno, depende de se transformar a pessoa idosa de um problema para a pauta central do desenvolvimento social.

Caminhos do Envelhecer
Luiz Eduardo dos Santos, gerontólogo, mestre em Gerontologia pela UFSCar e administrador de empresas, com atuação voltada à Saúde Coletiva, envelhecimento, direitos da pessoa idosa e qualificação de políticas públicas. Possui experiência na coordenação e assessoramento de projetos em atenção à saúde…
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