Escritor Jacques Fux: “restrições para criar possibilidades”

O escritor Jacques Fux, de 36 anos, é uma das revelações da literatura nacional. Ganhou atenção do círculo literário após vencer, no fim de 2013, o Prêmio São Paulo de Literatura, na categoria autor estreante, com a ficção “Antiterapias” (Scriptum). Fux vai estar no Festival da Mantiqueira – Diálogos com a Literatura, no dia 6 de abril, na tenda literária, falando sobre o seu primeiro romance. Jacques Fux é formado em matemática, mestre em computação e doutor em teoria literária. Publicou em 2011 “Literatura e matemática: Jorge Luis Borges, Georges Perec e o OuLiPo” falando de conceitos confluentes entre as duas áreas à primeira vista distantes, mas que podem criar possibilidades narrativas.

Escrito por: Renan Simão3 min de leitura
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O escritor Jacques Fux em oficina literária em Belo Horizonte, Minas Gerais

Divulgação

O escritor Jacques Fux, de 36 anos, é uma das revelações da literatura nacional. Ganhou atenção do círculo literário após vencer, no fim de 2013, o Prêmio São Paulo de Literatura, na categoria autor estreante, com a ficção “Antiterapias” (Scriptum). Fux vai estar no Festival da Mantiqueira – Diálogos com a Literatura, em São Francisco Xavier, no dia 6 de abril, na tenda literária, falando sobre o seu primeiro romance.

Jacques Fux é formado em matemática, mestre em computação e doutor em teoria literária. Publicou “Literatura e matemática: Jorge Luis Borges, Georges Perec e o OuLiPo”,  em 2011, falando de conceitos confluentes entre duas áreas que, à primeira vista, parecem distantes, mas que podem criar possibilidades narrativas.

“Jorge Luís Borges usa a matemática como recurso ficcional, as ideias, a lógica, as contradições, o infinito. O Perec usava, por exemplo, os palíndromos. Ele escreveu um livro inteiro de mais de 300 páginas que pode ser lido de trás pra frente”, explica Fux, por telefone, de Harvard, Estados Unidos.

“Antiterapias” conta a história de um mineiro judeu obcecado por referências literárias à procura de respostas a questões existenciais. O fluxo narrativo é produzido por referências literárias marcadas pelo autor a cada capítulo em epígrafes, para construir distintos universos para seu personagem. O estilo é considerado por Fux como um criador “de possibilidades que crescem na restrição”. Restrições essas como aquelas de Borges e Perec.

“No livro eu imponho algumas regras ao meu personagem. É uma liberdade e uma restrição. Tem uma hora que ele fala mal de algumas pessoas de Belo Horizonte e cria um dos Círculos de Fogo de Dante [Alighieri], e se vê diante de algo como a Divina Comédia. Essa é uma das referências”, exemplifica citando “O Jogo da Amarelinha”, de Julio Cortázar, como uma obra que cresce com uma estrutura incomum.

Estilo e sonho
O mineiro é pesquisador-visitante em Harvard, onde realiza o pós-doutorado sobre memórias e testemunhos do Holocausto, tema também abordado em seu primeiro livro. Fux já tem encomendado um “livro infantil para todas as idades”, a sair pela Editora Rocco, e mais um manuscrito de ficção a caminho.

“Antiterapias” e este último trabalho são narrados em primeira pessoa e esse estilo, conta o escritor, não é uma das restrições impostas por ele. “É mais uma questão de forma. A Noemi Jaffe [que também vai estar no Festival da Mantiqueira] por exemplo escreve sobre o Holocausto em terceira pessoa porque não conseguiria escrever em primeira pessoa. É do estilo do autor”, afirma.

Antes ávido leitor e espectador de eventos literários, agora Jacques Fux vai contar o começo da trajetória como escritor de ficção, em São Francisco Xavier. “Sempre participei desses eventos do outro lado, só ouvindo, pensando bem dentro de mim que estaria lá um dia. É realmente um sonho”, conta.

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