Esculturas funcionais

Magnus Pettersen comenta sua experiência de viver e trabalhar em São Paulo

Escrito por: Marcelo Lima3 min de leitura
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O designer norueguês Magnus Pettersen

Divulgação

Um dos mais celebrados designers conceituais de seu país, o norueguês Magnus Pettersen acaba de concluir uma temporada intensa em São Paulo. Visitante inaugural do programa Re.De.Sign, idealizado pelo designer Bruno Simões, Petterson visitou ateliês, partilhou experiências, mas também colocou a mão na massa: sua mais recente coleção de objetos, produzida no Brasil, fica em exibição até 16 de abril no ateliê de Simões, nos Jardins. “Creio que a experiência aqui produziu um nítido efeito no meu trabalho. O minimalismo escandinavo deu lugar a uma abordagem mais orgânica”, disse ele nesta entrevista ao Casa, do jornal O Estado de S.Paulo.

Quais seus interesses como designer?
Sou formado em artes plásticas pela The Royal Danish Academy of Fine Arts. Me dediquei, no início, à pintura, mas foi no campo escultórico que acabei encontrando meu lugar. O uso do concreto surgiu meio ao acaso, pois um parente meu tinha uma empresa do ramo e me mandava excedentes de obras para experimentar. Com o tempo, incorporei cores e formas ao material e acabei descobrindo um caminho de pesquisa. Por ser um artista de formação, meu interesse na área é mais conceitual, menos na questão da funcionalidade ou da ergonomia, e mais na experimentação, sobretudo com os materiais. Vejo meus móveis como “esculturas funcionais”, que são capazes de transmitir profunda expressão, enquanto exploram as tensões entre o abstrato e o concreto.

Como avalia o programa de imersão que realizou em São Paulo?
A realidade nacional foi um verdadeiro choque em um primeiro momento. Os contrastes eram extremos: entre riqueza e pobreza, entre enormes edifícios e favelas, ruas em péssimo estado, lotadas de carros luxuosos, intenso calor e fortes chuvas. Tudo muito intenso para um habitante de uma cidade com 750 mil habitantes, como Copenhague. Mas o bom da residência é isso: você tem tempo para transformar a experiência de turista em algo mais aprofundado. Cria hábitos que te fazem compreender uma outra realidade. Provavelmente foi o que me fez soltar um pouco do rigor geométrico, de base minimalista, das minhas criações e a explorar novos materiais. Como o ferro, que conferiu um desenho mais orgânico e livre às minhas peças.

O que encontrou de mais interessante na cena do design local?
Comparativamente, achei a cena bem menor do que a que encontrei em outros centros urbanos, inclusive menores. Tive a sorte, porém, de conviver com jovens designers como Antonia Almeida e Fabio Esteves, da dupla 80e8, e também de visitar mostras e ateliês. Com alguns dos quais, inclusive, teria enorme prazer em desenvolver trabalhos conjuntos.

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Cadeira de concreto criada pelo designer e, ao fundo, os corpos de prova

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