Especialista da Unitau aponta as causas do desperdício de alimentos no Brasil

Aproximadamente 30% de todo alimento que se produz no Brasil é perdido antes de chegar ao consumidor final. De acordo com a Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura, a cada ano 26,3 milhões de toneladas de comida são jogadas fora no país.

Escrito por: Do Meon2 min de leitura
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Aproximadamente 30% de todo alimento que se produz no Brasil é perdido antes de chegar ao consumidor final. De acordo com a Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura, a cada ano, 26,3 milhões de toneladas de comida são jogadas fora no país.

Estradas inadequadas e falta de linha férrea são principais vilãs

Transporte, processos de produção e embalagens inapropriadas são os principais vilões nesta cadeia de desperdício. De acordo com a professora de engenharia de alimentos da Unitau (Universidade de Taubaté), Amanda Querido, o mesmo “custo Brasil” reclamado pelas multinacionais também atua para o desperdício de alimentos produzidos no país.

“Com estradas ruins e uma malha ferroviária insuficiente para realizar o transporte do que se produz, muitos dos alimentos acabam estragando porque uns caem em cima dos outros, alguns amassam ou são danificados de outra forma por causa das imperfeições das vias”, comenta.

Entretanto, o problema do desperdício de alimentos no país não está apenas nas estradas. Segundo a especialista, falta uma mão-de-obra capacitada, com qualificação para atender critérios de condicionamento e segurança que, fora do país, já são comuns.

“Só na colheita muito já é perdido, a falta de ações para diminuir o desperdício faz com que o alimento já saia do produtor em defasagem. Depois disso, há embalagens inadequadas que estragam o produto”, afirma.

O transporte de frutas, verduras e hortaliças, dentro do próprio comércio, também devem ser reconsiderados para amenizar o problema do desperdício. Supermercados, hipermercados e outros estabelecimentos tem uma grande parcela de culpa pelos alimentos que são jogados fora.

“Desta forma, além do óbvio sentimento de injustiça pela quantidade de alimento que vai para o lixo, os consumidores acabam pagando muito mais do que deveriam para comprar os produtos. Afinal, é encarecendo o alimento que os produtores conseguem equilibrar as perdas durante o processo de produção”, conclui.

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