Estudo: Aumento de 50% na presença de nanoplásticos no cérebro humano em 8 anos
Amostras coletadas em autópsias foram realizadas em 2024

Um estudo realizado pela Universidade do Novo México, nos Estados Unidos, revelou um aumento significativo na presença de nanoplásticos no cérebro humano ao longo dos últimos oito anos. Segundo os cientistas, as amostras coletadas em autópsias realizadas no início de 2024 apresentaram 50% mais partículas plásticas do que aquelas analisadas em 2016.
O pesquisador Matthew Campen, autor principal do estudo, explicou que as concentrações encontradas foram surpreendentes. “Nos cérebros de indivíduos saudáveis, com idade média de 45 a 50 anos, identificamos 4.800 microgramas de plástico por grama de tecido cerebral, o que equivale a quase 0,5% do peso total do cérebro”, afirmou.
Além disso, a análise revelou que o cérebro contém de sete a 30 vezes mais partículas plásticas do que outros órgãos como rins e fígado, indicando uma possível acumulação prolongada dessas substâncias.
Nanoplásticos e doenças neurodegenerativas
Os pesquisadores também constataram uma maior presença de nanoplásticos no cérebro de pessoas diagnosticadas com demência antes da morte. As amostras desses indivíduos apresentaram de três a cinco vezes mais fragmentos plásticos do que os cérebros de pessoas sem problemas cognitivos.
Embora os resultados levantem preocupações, Campen enfatizou que ainda não há evidências concretas de que os plásticos sejam responsáveis pelo desenvolvimento da demência. No entanto, o estudo sugere que o acúmulo dessas partículas pode estar relacionado a processos inflamatórios no cérebro.
Impactos na saúde e novas descobertas
A presença de micro e nanoplásticos no corpo humano tem sido motivo de crescente preocupação entre especialistas. O pediatra e biólogo Philip Landrigan, do Boston College, ressaltou que a produção global de plástico disparou nas últimas décadas. “Mais da metade de todo o plástico já fabricado foi produzido desde 2002, e a previsão é que esse volume dobre até 2040”, alertou.
O estudo também indicou que essas partículas podem se infiltrar na barreira hematoencefálica e se alojar em áreas do cérebro ricas em lipídios, como o córtex frontal, região associada ao raciocínio e à memória. Segundo os cientistas, o consumo de alimentos contaminados e a inalação de partículas no ar são as principais vias de exposição.
Apesar da falta de respostas definitivas sobre os efeitos dos nanoplásticos na saúde humana, os pesquisadores defendem a necessidade de medidas para reduzir a exposição e evitar potenciais impactos a longo prazo.
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