Europa concentra maior número de casos de violência contra brasileiras no exterior

Um levantamento do Ministério das Relações Exteriores (MRE), incorporado ao Mapa Nacional da Violência de Gênero em parceria com o Senado Federal, registrou 1.631 casos de violência doméstica e de gênero contra brasileiras no exterior em 2024. A Europa foi a região com o maior número de registros, com 730 casos. Na sequência aparecem a […]

Escrito por: Sabrina Martins2 min de leitura
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Um levantamento do Ministério das Relações Exteriores (MRE), incorporado ao Mapa Nacional da Violência de Gênero em parceria com o Senado Federal, registrou 1.631 casos de violência doméstica e de gênero contra brasileiras no exterior em 2024.

A Europa foi a região com o maior número de registros, com 730 casos. Na sequência aparecem a América do Norte, com 412 ocorrências, e a América do Sul, com 356.

Apesar de a Europa concentrar o maior número de casos por região, os Estados Unidos lideram o ranking entre os países, com 397 registros. A Bolívia aparece em segundo lugar, com 258 casos, seguida pela Itália, com 153.

Entre os países europeus, Portugal registrou 144 casos, o Reino Unido teve 102, a Espanha contabilizou 79, a Irlanda, 65, e a Bélgica, 43. Juntos, Itália, Portugal, Reino Unido, Espanha e Irlanda somaram 543 registros, quase três quartos dos casos registrados em toda a Europa.

Crescimento de registros na Bolívia

Um dos maiores aumentos ocorreu na Bolívia. O número de registros passou de 28 casos em 2023 para 258 em 2024, um crescimento de 821%.

Segundo o levantamento, porém, o aumento não significa necessariamente que a violência tenha crescido na mesma proporção. O resultado também está relacionado ao reforço do atendimento consular no país.

Após o Consulado-Geral em Santa Cruz de la Sierra contar com uma psicóloga especializada, mais brasileiras passaram a procurar atendimento e formalizar relatos de violência.

Dados podem estar subnotificados

O levantamento também aponta dificuldades na coleta de informações. Em algumas regiões, uma parcela significativa dos países não apresenta registros de violência contra brasileiras.

Na América Central e no Caribe, por exemplo, 87,5% dos países não possuem registros. Na África, são 67,7%; no Oriente Médio, 58,3%; e na Ásia, 57,9%.

A ausência de registros não significa necessariamente que não existam casos. Os dados consideram apenas situações que chegaram ao conhecimento da rede consular brasileira e foram formalmente registradas.

Entre os fatores que podem contribuir para a subnotificação estão barreiras linguísticas, dificuldade de acesso aos serviços de proteção e a distância dos consulados.

Foto: Reprodução

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