Vini Jr. brilha, mas atuação coletiva do Brasil contra o Marrocos acende sinal de alerta

Mudanças de Ancelotti não surtem efeito em Nova Jersey

Escrito por: Maria Júlia da Silva Binotto3 min de leitura
4cf58d8f-1f3f-4582-bcec-82ff520e2a96.jpg

O Brasil estreou na Copa do Mundo de 2026 com um desempenho que deixou o torcedor apreensivo. Na noite deste domingo (14), a Seleção Brasileira ficou no empate em 1 a 1 contra o Marrocos, em Nova Jersey (EUA), em uma partida onde o futebol apresentado preocupou bem mais do que o resultado final na tabela. Salvo pela genialidade de Vinicius Junior, o elenco comandado por Carlo Ancelotti flertou com a derrota e deixou o gramado sob o tom de agradecimento pelo ponto somado.

Receba as notícias do dia – clique AQUI para seguir o canal MEON no WhatsApp!

A comissão técnica surpreendeu ao levar a campo uma escalação com três estreantes de última hora: o zagueiro Ibañez, o lateral Douglas Santos e o atacante Igor Thiago. Avisados poucas horas antes de a bola rolar que seriam titulares, os atletas sofreram com a falta de entrosamento, e o esquema tático naufragou completamente no primeiro tempo.

Apogeu marroquino e o gol de Vini

A tônica dos primeiros 45 minutos foi de ampla superioridade física e tática do Marrocos. Marcando sob forte pressão no campo de ataque e verticalizando as jogadas, a seleção africana finalizou seis vezes contra a meta brasileira em menos de dez minutos. Aos 20, a justiça no placar se concretizou: Paquetá recebeu passe ruim de Ibañez na saída de bola e perdeu o domínio; Casemiro não conseguiu encurtar a marcação no meio-campo e Gabriel Magalhães foi batido na velocidade por Saibari, que abriu o placar.

Sem articulação no meio de campo, o jogo do Brasil limitou-se a uma única válvula de escape: acionar Vinicius Junior pelo lado esquerdo. E o camisa 7 resolveu individualmente. Aos 36 minutos, em jogada similar às que protagoniza no Real Madrid, Vini atraiu três marcadores, serviu Bruno Guimarães e se posicionou para receber de volta na área. No mano a mano, limpou o volante El Aynaoui com facilidade e bateu firme, sem chances para o goleiro Bono, decretando o 1 a 1.

Monotonia e falta de objetividade

Ciente da fragilidade defensiva — que custou cartões amarelos a Casemiro e Ibañez —, Ancelotti promoveu as entradas de Danilo e Fabinho na volta para o segundo tempo. As alterações estancaram os contra-ataques do Marrocos, que recuou suas linhas e sentiu o desgaste físico. Com o controle da posse de bola, o Brasil passou a cadenciar o jogo, mas de forma protocolar e previsível.

Nem mesmo as substituições posteriores, com as entradas de Matheus Cunha e Luiz Henrique nos lugares dos apagados Igor Thiago e Lucas Paquetá, trouxeram criatividade ao setor ofensivo. A posse de bola na intermediária não se transformou em chances reais de gol. Nos acréscimos, o Brasil levou perigo em duas cobranças de escanteio, mas foi o Marrocos quem quase garantiu a vitória em um chute de longa distância que obrigou o goleiro Alisson a operar uma grande defesa em dois tempos.

O Brasil volta a campo na próxima sexta-feira, dia 19 de junho, precisando corrigir os erros de transição e demonstrar maior volume coletivo para não complicar sua situação na fase de grupos.

Foto: Reprodução/Getty Images

Tags:BrasilCopa do MundoEsportePublicado em: