Ex-goleiro alemão avisa: “somos o melhor time da Copa”
Entre 1998 e 2008 Jens Lehmann disputou 61 partidas pela seleção alemã. Uma delas ficou profundamente marcada na história do futebol germânico. A vitória na disputa por pênaltis contra a Argentina pelas quartas de final da Copa do Mundo da Fifa Alemanha 2006 foi considerada a sua maior atuação pelo selecionado germânico.


Jens Lehmann esbanja confiança ao falar da seleção alemã
Getty Images/Fifa.com/Divulgação
Entre 1998 e 2008 Jens Lehmann disputou 61 partidas pela seleção alemã. Uma delas ficou profundamente marcada na história do futebol germânico. A vitória na disputa por pênaltis contra a Argentina pelas quartas de final da Copa do Mundo da Fifa Alemanha 2006 foi considerada a sua maior atuação pelo selecionado germânico.
Em entrevista ao site da Fifa, o ex-goleiro revelou os seus pensamentos de hoje em dia sobre aquela espetacular partida, explicou por que está especialmente contente com o sucesso do atual camisa um alemão Manuel Neuer e por que acredita que a Alemanha é a favorita indiscutível na final.
Fifa.com: Quais são as suas impressões sobre a Copa do Mundo?
Jens Lehmann: A impressão que tive na Alemanha se confirma quando converso por telefone com pessoas que estão no local: esta Copa do Mundo é uma das melhores que já existiram. Principalmente as pessoas no Brasil são muito dispostas a ajudar e muito cordiais. A atmosfera deve ser incrível tanto dentro quanto fora dos estádios.
O que esta Copa do Mundo proporcionou do ponto de vista esportivo?
Assistimos a muitas partidas emocionantes e foi uma boa Copa do Mundo. Mas obviamente ficou evidente também a diferença entre futebol de clubes e de seleções. Os treinadores têm apenas algumas semanas para preparar as suas equipes para o Mundial. Nos clubes, as equipes trabalham juntas por todo ano. Por isso o nível do futebol também é um pouco mais baixo, o que não é necessariamente algo ruim para os torcedores.
Pensando nisso, foi inteligente da parte do treinador Joachim Löw escalar um bloco completo de jogadores do Bayern de Munique?
Definitivamente! Os jogadores do Bayern sabem exatamente o que cada um faz em campo. Isso deixa as coisas bem mais fáceis — mesmo para jogadores como Sami Khedira, que não joga pelo Bayern. É uma vantagem gigantesca para nós. A Espanha também se beneficiou nos últimos torneios de um bloco do Barcelona. Na final de 2010 havia sete jogadores do Barça entre os titulares.
O que você achou da seleção alemã até o momento?
Muito boa. Somos a melhor equipe desta Copa do Mundo. Bem organizados, compactos, com muita categoria. Percebemos que temos muitos garotos que disputam com frequência a fase final da Liga dos Campeões. Na nossa seleção este é o caso em parte até dos jogadores que estão no banco.
O que dizer sobre o seu sucessor, Manuel Neuer?
Até agora ele está fazendo uma Copa do Mundo perfeita. Ele é indiscutivelmente o melhor goleiro da atualidade e uma coisa me deixa especialmente contente. Acredito que na minha época fui o primeiro goleiro a jogar com esse estilo no qual ele é tão bem-sucedido hoje em dia. Eu era chamado de maluco por muitas pessoas naquele tempo. Por isso, é legal ver que eu não estava tão errado.
Você tem uma explicação para o resultado da semifinal contra o Brasil?
Embora soe estranho ao dizer isso, a Seleção Brasileira atual não tem nível para chegar a uma final. Se observarmos como saiu o primeiro gol, como o Thomas Müller consegue receber a bola a meia altura depois do escanteio e chutá-la com toda tranquilidade, isso já diz muita coisa. Os gols seguintes foram com certeza uma questão de cabeça e um blecaute coletivo, mas eles aconteceram essencialmente por causa da diferença de qualidade das duas equipes. Mesmo com Neymar e Thiago Silva essa diferença poderia ter sido apenas um pouco diminuída.
Agora estamos esperando pela final entre Argentina e Alemanha. Quais são as suas lembranças da Argentina?
Em primeiro lugar obviamente tenho a lembrança das quartas de final na Copa do Mundo 2006. Antes do jogo todos nos desafiaram: “Agora vocês finalmente terão de vencer um adversário realmente grande!”. Havia alguns anos que não conseguíamos isso. Por sorte, conquistamos a vitória nos pênaltis.
Quantas vezes você precisa responder perguntas sobre aquela partida, na qual defendeu dois pênaltis e garantiu a vitória?
[Risos] Em algum momento parei de contar. Às vezes penso que tem pessoas que acham que aquela foi a única partida que disputei. Eu sabia na época que tínhamos bons cobradores e tive a sensação de que conseguiria defender no mínimo dois pênaltis. E por sorte foi isso que aconteceu.
Quais são as suas impressões sobre a atual seleção argentina?
É uma equipe que joga como uma unidade compacta e é muito forte na defesa. Não é por acaso que os argentinos sofreram apenas três gols em todo o torneio. E no setor ofensivo eles também têm Lionel Messi, Gonzalo Higuaín e Ezequiel Lavezzi, que são grandes jogadores.
Isso é suficiente para derrotar a Alemanha?
Acredito que não. A seleção alemã possui um elenco mais amplo. Simplesmente contamos com mais jogadores que atuam o ano inteiro no mais alto nível. Observe por exemplo os grandes encontros internacionais que os jogadores do Bayern disputaram nos últimos anos. Isso já faz a diferença. É possível ganhar muita experiência nesses jogos.
A Argentina, por outro lado, conta com Messi, quatro vezes eleito o Jogador do Ano da Fifa
Ele tem plenas condições de decidir partidas sozinho. Mas acredito que não fará no domingo uma partida melhor do que contra a Holanda, pelo contrário. O Messi é fenomenal, mas a Alemanha tem um setor ofensivo mais completo e conseguirá quebrar o ferrolho argentino, ainda que para isso seja necessário um pouco de paciência.
Então, a Alemanha voltará a ser campeã mundial após 24 anos?
Sim, acredito firmemente nisso e estou procurando freneticamente por um voo porque gostaria muito de estar lá.
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