Exploração comercial da cachoeira Pedro David divide ambientalistas
Projeto prevê cobrança de entrada na cachoeira Pedro David em São Francisco Xavier


Cachoeira é um dos principais pontos turísticos de São José
Divulgação / PMSJ
O projeto de lei que autoriza a cobrança de entrada na Cachoeira Pedro David, um dos principais pontos turísticos do distrito de São Francisco Xavier, divide opiniões entre ambientalistas.
Como revelou o Meon na quinta-feira (25), a proposta foi apresentada pelo vereador José Dimas (PSDB), líder do governo Felicio Ramuth (PSDB) na Câmara.
Segundo o parlamentar, o prefeito é simpático à proposta –sobretudo, diz ele, por “disciplinar a visitação dos turistas no local”.
O presidente do Comam (Conselho Municipal de Meio Ambiente), Lincoln Delgado, concorda com o projeto, porém com ressalvas.
“O recurso proveniente dessa cobrança precisa ser revertido para o local, com saneamento e infraestrutura adequada para receber os visitantes. Hoje, o local é uma terra sem regras”, diz o ambientalista.
Membro do conselho gestor da APA (Área de Preservação Ambiental) de São Francisco Xavier, Delgado afirma que a situação no local é alarmante e pode piorar se não ocorrer um controle do número de visitantes.
“A cachoeira possui uma capacidade de uso além do que ela pode suportar. Isso é preocupante já que pode ser irreversível futuramente”, diz Lincoln.
Contraponto
Para o ambientalista José Moraes Barbosa, membro do Fórum Permanente em Defesa da Vida, o projeto é “um desrespeito à cidadania”.
“Daqui a pouco, a prefeitura vai querer cobrar pelo ar que respiramos. A cobrança priva uma boa parcela da população de usufruir um bem que é público. Isso é um despropósito, um desrespeito à cidadania. Nós precisamos integrar às pessoas à natureza, e não afastá-las”, diz Moraes.
O ambientalista ameaça recorrer à Justiça para barrar a cobrança, caso o projeto seja aprovado.
“Eu mesmo posso ingressar uma representação”, afirma. “Cabe à prefeitura monitorar, fiscalizar e dar a estrutura necessária para o local. Isso é dever do poder público”, conclui.
A Prefeitura de São José também foi procurada, mas informou que não iria se manifestar sobre o tema “já que o projeto ainda está em discussão”.

Proposta foi apresentada pelo vereador José Dimas (em primeiro plano)
Pedro Ivo Prates / Meon
Controle de acesso
A proposta do vereador José Dimas transfere a gestão da cachoeira para a iniciativa privada. Segundo o tucano, a concessão é importante para que haja uma diminuição no número de pessoas durante a temporada de verão, além de permitir a conservação do patrimônio ambiental e melhorias da estrutura para atender os turistas.
“É preciso autorizar a exploração para que haja uma gestão eficiente, mantendo um número adequado de pessoas e oferecer melhorias”, afirmou ao Meon.
O projeto, porém, está longe de ser unanimidade na Câmara. Membro da bancada de oposição, o vereador Wagner Balieiro (PT) defende que a cachoeira receba investimentos da prefeitura para melhorar as condições de visitação.
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